´Comandante terá de explicar por que não puniu Pazuello`, diz ex-ministro

         



O ex-ministro da Defesa (2015-2016), dos Esportes (2011-2014) e ex-deputado federal, Aldo Rebelo (sem partido), disse nesta 3ª feira (8.jun.2021) que o ex-ministro da Saúde e general da ativa, Eduardo Pazuello, deveria ter sido punido pelo Exército por participar de ato político com o presidente Jair Bolsonaro. Deu entrevista ao Poder360.

“Foi um erro estimulado pelo presidente da República, porque ele [Bolsonaro] sempre foi um indisciplinado, foi expulso do Exército por indisciplina. Talvez, chegando ao comando das Forças, ache que possa fazer da indisciplina um instrumento político dos seus governos e interesses”, disse Rebelo.

“Foi uma escolha errada por razões que um dia o comandante do Exército terá de explicar. Ele [Paulo Sérgio] trabalhou comigo no ministério, e todos nós tínhamos dele a melhor impressão possível. Por essa razão, nos surpreendeu essa decisão de impunidade para o Pazuello”, declarou. Rebelo disse ainda que ausência de punição foi “uma tragédia, um engano de graves consequências”.

Eis alguns assuntos abordados com o ex-ministro na entrevista:
Ruptura democrática: Diz que não há risco. “O presidente da República detém autoridade formal, mas não é um presidente com autoridade moral e política capaz de forçar a violação das normas constitucionais”;
Amazônia: Rebelo, que foi do PC do B, do PSB, do Solidariedade e hoje está sem partido, afirmou que o governo erra na comunicação e que há “fraude” na narrativa sobre haver desmatamento exacerbado. “Há incapacidade de explicar a Amazônia para o Brasil e para o mundo, porque as pessoas estão convencidas de que aquilo se encontra num caminho de desmatamento irreversível. Não é verdade, isso é uma fraude completa”;
Desmatamento: “O desmatamento e a queimada criminosos, atividades residuais, são a exceção. Como não tem fiscalização, não tem vigilância, o Estado não está presente, o crime é consequência desse abandono, dessa omissão. É preciso que o País tome conta da Amazônia”;
Copa América: “Eu participei de um momento muito difícil, que ficou conhecido como Movimento Não Vai Ter Copa […] Tenho muito receio da politização desses eventos […] Sinceramente não sei se mais 30 ou 40 jogos iriam oferecer ao Brasil mais risco no caso de futebol do que essas competições que já estão acontecendo”;
CPI da Covid: “A CPI vai tomar o rumo inevitável, que é apurar responsabilidades […] Vão reclamar que a CPI é politizada. Eu fiquei 30 anos na câmara dos deputados, nunca vi uma CPI que não fosse politizada. […] Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, por exemplo, se a vacinação, que ainda está lenta, tivesse começado em dezembro?”;
Eleições 2022: “Há 2 projetos visíveis, mas com fragilidades: o de Bolsonaro e o de Lula […] As pessoas podem escolher um outro projeto com base em outra agenda em vez dessa agenda do cosmopolitismo importado. […] É disso que o país está precisando, a retomada da centralidade da questão nacional”
3ª via para 2022: Diz ser viável. “Acho que é muito precoce e cedo para [elencar nomes]. Muitas vezes os protagonistas surgem quase que no início do processo eleitoral, acho que estão em formação as condições para debate sobre agenda e não sobre nomes”;
Licenciamento ambiental: “Tem que simplificar, tem que substituir o método […] No Brasil, parece que a multa é o sinal de que a lei é boa. Eu acho que você dá uma racionalidade a essa legislação. Desde que ela seja respeitada, é um caminho correto”;
Futuro na política: “Estou em Alagoas. Vou voltar para São Paulo e lá vou pensar no que fazer até o fim deste ano”
QUEM É ALDO REBELO
Foi ministro da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais (2004-2005), no Governo Lula, dos Esportes (2011-2014), da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015) e da Defesa (2015-2016) no Governo Dilma.

Rebelo foi secretário da Casa Civil do governo de Márcio França, do PSB, em São Paulo (2018). Presidiu a Câmara dos Deputados (2005 a 2007), relatou o Novo Código Florestal e foi deputado federal por 5 mandatos pelo Estado de São Paulo.
Do Poder 360