Rui e Wagner: quando a criatura precisa pagar a fatura ao criador

         



Por Victor Pinto
Sempre faço essa analogia nos meus artigos quando me refiro ao senador Jaques Wagner (PT) e ao governador Rui Costa (PT): o primeiro o criador e o segundo a criatura. Como de fato são. Rui só chegou ao Palácio de Ondina graças às bênçãos do novo cabeça branca da Bahia. JW aguentou, diante de todas as críticas e ataques internos sofridos no idos de 2014, para emplacar o seu ex-Serin, então Casa Civil, na época deputado federal licenciado.

 

A máquina trabalhou em favor de Rui. Movimentações intensas apesar das pesquisas colocarem ele bem atrás do experiente Paulo Souto (DEM), que enfrentou o criador por três vezes: uma vitória (2002) e duas derrotas (2006 e 2010). No fim das contas, Rui venceu e no primeiro turno. Foi uma reviravolta de meio de campanha que representou algo próximo do que aconteceu com Wagner em 2006.

 

Apesar de defender uma renovação no partido e nas lideranças, uma autocrítica necessária a um PT que começa a cheirar naftalina, o único nome pavimentado de fato e pacificador para o grupo não viver uma antropofagia é justamente de um setentão. JW vai voltar para a disputa. E para isso precisa dos acenos de Rui.

 

Começamos analisar as digitais do senador petista da Bahia na movimentação do tabuleiro do secretariado. A mais vistosa, até então, sem sombra de dúvidas, foi o ingresso do ex-prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), na capenga articulação política do puxadinho do Gabinete do governador mais conhecida como secretaria das Relações Institucionais. A reação no campo político foi imediata.

 

A arrumação dos partidos da base também passa pelo senador, como a eventual arrumação que venha provocar futuras nomeações de Elisangela (PT) e o deputado Joseildo Ramos (PT) a cargos do primeiro escalão do Executivo baiano, nada ainda confirmado pelo atual morador do Palácio de Ondina.

 

Rui tem por obrigação de gratidão mover céus e terras no seu último ano de mandato para beneficiar seu criador nos limites razoáveis da administração pública, claro. Esse último ano não será seu. O rascunho do desenho começa ser rabiscado.

 

Essa conta, pelo conversado com os mais próximos dos queremistas de JW, precisa ser paga, pois no entendimento deles, apesar de ser péssimo da articulação política, o ex-vereador de Salvador e futuro ex-governador da Bahia a partir de 2023 tem muito a ganhar.

 

Ao tempo em que nenhuma nova liderança surja, a possibilidade de pavimentação de caminhos feitas por Wagner pode alçar Rui Costa a outros cenários futuros tem sido calculada. A máxima do ‘devo, não nego, pago se puder’ não vai colar. A fatura já está na mesa…

 

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Jornalista. / twitter: @victordojornal