Em nome da Vida

         



Por Gilson Nogueira
O inverno, em Salvador, neste ano de Porcaria no ar, com ondas de dois metros e meio de altura, faz o baiano deixar sonhos de lado, como o de ir à sua praia predileta e jogar conversa fora nos bares da vida. Até o grito de gol emudeceu, ao vivo, no Estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, por causa dessa merda que veio da China, segundo o noticiário primeiro, quando, ainda, o abraço e o beijo no rosto eram possíveis.

De uma hora para outra, tudo mudou. Para pior! Dentro de meus pacotes de saudade, encontrei uma vontade doida de sair por aí, na Capital do Berimbau, revendo pessoas e lugares que abrilhantam a vida cotidiana, como o papo cara a cara entre amigos de longas datas nos centros de compras da cidade e o zanzar sem medo de ser feliz por aí. Fechado no apartamento, onde, um dia, meu primo trancou a vida, fito a rua vazia, na noite julhiana, onde circulam veículos motorizados e, quase, ninguém a pé. Há um medo no ar. Em dupla, ele e a terrível sensação de não saber o que virá.

Angústia, solidão e um desesperança num Brasil melhor. Gente com sorriso ao vivo para abraçar e sentir-se, desse modo, coletivo, inteiramente participativo no bloco dos que desfilam simpatia e confiança no outro, necas, como diria minha vó Umbelina, que reina na Eternidade. Fechado no cotidiano, sem notícias boas, tendo que ler o que nos faz chorar por dentro, quando o assunto é política, que rivaliza com a tragédia da Porcaria, invoco os homenzinhos verdes para nos dar uma mão na batalha contra o mal de todos os séculos da História da Humanidade. Meu queixo anda cansado de cair ao saber, pela Internet, de tanta podridão humana na política, em um momento mais que trágico como o que vive o brasileiro, no mundo, agora, comparando-o ao de outros povos.

Um quase Genocídio está em curso. Faz-se necessário, mais que antes, urgentemente, vacinar o Brasil, de ponta a ponta, sob pena de desaparecermos do Mapa Mundi!
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Escritor e jornalista