A Bahia mais uma vez no STF depende dos empurrões

         



Por Victor Pinto
Quem larga primeiro bastante esbaforido tende a chegar na linha final sem fôlego, isso se chegar. O velho ditado do nadar e morrer na praia. A corrida pela vaga de Marco Aurélio, que se aposenta da sua cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), tem dois possíveis nomes nos holofotes: André Mendonça, ex-ministro da Justiça e advogado-geral da União, e Augusto Aras, chefe do Ministério Público Federal (MPF).

 

Interlocutores não duvidam de uma articulação no Senado que venha beneficiar Aras muito mais do que Mendonça (terrivelmente evangélico). A revista Veja aventou a possibilidade de Mendonça ser rifado no escrutínio da Casa Alta. Apesar de remoto, na história do STF o Senado já rejeitou cinco nomes, mas no início da República.

 

Caso Mendonça quebre a tradição de aprovações, o PGR baiano seria a carta na manga. Não sendo, continuaria no MPF. Bolsonaro se valeria do discurso: “olha, Mendonça, eu tentei, mas o Senado não te quis”. Aras tem feito um jogo alinhado com o Planalto, vale destacar. Jogo casado?

 

Tivemos 38 baianos em uma corte suprema nos tempos do Império (STJ na época) e 14 sentados nos tempos da República (STF já institucionalizado). O último baiano na função de ministro foi Ilmar Galvão, natural de Jaguaquara, mas este apesar de ser da Bahia de nascença, fez, de fato, sua vida fora do Estado. Deixou o posto em 2003 que fora assumido em 1991 por indicação de Collor.

 

Se levarmos em conta a vivência no Estado, o último baiano a se sentar no STF foi Aliomar Baleeiro (o mesmo que batiza a famosa Estrada Velha do Aeroporto em Salvador). Soteropolitano, se formou em Direito pela UFBA. Ficou na Suprema Corte de 1965 até 1975. Sua vaga foi criada pelo AI 2 pelo presidente Castelo Branco. E fez carreira jornalística antes da advocacia. Chegou a presidir a corte de 71 a 73. Hoje, na sua cadeira, se senta Alexandre de Moraes.

 

A última vez que chegamos perto de um baiano no STF foi quando Lula (PT) teve planos de indicar o professor Edvaldo Brito (PSD), jurista, ex-prefeito e vereador da capital baiana. O ano era 2003. Contudo, não pode se efetivar por ter completado 65 anos e sua idade, na época, era um impeditivo. A faixa etária, de lá pra cá, já fora aumentada para 70 e agora para 75 anos para aposentadoria compulsória.

 

Recentemente um baiano foi contemplado na ascensão a uma alta corte: Balazeiro para o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Bem relacionado, bem articulado, não terá problemas no escrutínio no Senado Federal. Apesar de ter luz própria, teve um empurrão de João Roma e Alexandre Aleluia para a canetada do presidente da República.

 

Aras, que tem real possibilidade no STF, terá e precisa de diversos empurrões, em diversos lados, principalmente se depender dos baianos. O senador Otto Alencar (PSD), por exemplo, já deu apoio. Mas se tratando de Bolsonaro tudo pode acontecer. Ambos os quadros postos podem ser bois de piranha para um terceiro nome mais bem alinhado com suas hostes. O receio do clã é indicar um quadro que se rebele futuramente e isso eles não podem controlar.
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Jornalista/twitter: @victordojornal