Enxergar, ousar e fazer acontecer

         



Por Ildazio Tavares Jr
Olá, meus queridos de toda a cadeia produtiva do entretenimento, como estão sobrevivendo em meio a este pandemônio letárgico e incessante que não acaba? Muitos amigos e parceiros trocaram de profissão, ven- deram os instrumentos, as mesas de som, os PAs, as luzes e voltaram para o interior, viraram motoristas de apli- cativo, se envolveram com a economia criativa, enfim, foram obrigados e forçados a empreender! Mas como vai ser na volta? Como remontar um Carnaval depois de dois anos sem a festa? Segue uma sugestão com uma visão mais humanista, pertinente aos tempos bicudos, para uma recuperação que pode vir a ser um agente de inclusão em uma proposta de economia circular. Let’s see!


Com o modelo de negócio axé fechando o ciclo, penso que já pas- sou da hora das novas propostas de produtos, não somente musicais, mas também de eventos turísticos, festas, carnavais, enfim aparecerem e virarem moda. Os players do mercado devem urgentemente ler os novos conceitos e tendências, ver o que pensam os criativos e, assim, com parcerias ganha-ganha, reconstruir essa potente indústria com muita ousadia (um marca registrada nossa, não é?), com a força das redes sociais, do big entretenimento, e trazer à baila uma cena de crescimento, em um novo mercado e cadeia produtiva menos agressiva, sem mandatários e valorizando o eminente potencial criativo dos novos tempos, do cole- tivo da economia circular e dos que pedem passagem, espaço e oportu- nidade para crescer! Devem enten- der o nosso zeitgeist (termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. Significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, em determinada época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo).

O poder público pode ajudar, e muito, já revendo o conceito desse “Frankstein” no qual se transformou o Carnaval baiano e mudar para algo muito mais descentralizado, possibilitando que quase todos os bairros funcionem como locais de festa, formatando um novo e racional Carnaval social, econômico, turístico e lucrativo, no qual cada bairro que resguarda a sua peculiaridade artística.

Que novas ideias surjam; que a alegria e a ousadia do baiano voltem a contagiar o mundo e que a cultura prevaleça! carnavalesca (Garcia, Santo Antô- nio, Itapuã, Bonfim...) se enfeite, faça acontecer e, assim, além da alegria, várias festas diferentes, blocos e fan- farras surjam e se crie uma fonte de dividendos para todo o bairro, com a ativação de pequenos negócios sazonais que muito ajudam a sus- tentar não somente a comunidade dessas localidades, mas toda a cadeia produtiva artística e técnica, como ocorre no Rio de Janeiro e em São Paulo, que deixaram de ser nossos clientes para ser nossos concorrentes e mostram, a cada ano, um aumento do Carnaval de rua, sem amarras e entregue à criatividade, e onde todos podem, além de participar, empreender na festa.

As instâncias governamentais não podem, neste momento, encarar o Carnaval como somente big business de entretenimento e turismo, têm também que vê-lo como cultura que vende muito e, assim, descons- truir urgentemente essa remendada festa e transformá-la em algo mais amplo no quesito inclusão, pois, além de ser o lógico, hoje, as gran- des empresas patrocinadoras já entenderam que o que vale é o lucro por propósitos, ações inclusivas e que abranjam a diversidade da sociedade contemporânea como um todo e, assim, redistribuir a grana de maneira mais equitativa para um bem maior da sociedade.

O modelo de negócio “banda, bloco e camarote do axé” como chamariz já não vinha se sus- tentando há tempos, bem antes da pandemia. Imagine agora... A não ser que se repense um local exclusivo e novo, com toda uma infraestrutura, para que os turistas e produtores sejam felizes, ou então o negócio vai claudicar mais e mais... No mais, é dar mais espaço para que todos aumentem a veia empreendedora, não somente com a venda de cerveja, catando latinhas, com a gastronomia ou o Airbnb, mas que usem a tecnologia e a ousadia ao empreender.
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Administrador de empresas e radialista
Texto original da revista Let`s Go