O teodolito de Jaques Wagner tem mais pernas do que Leão prega

         



Por Victor Pinto
Me deparei nesta semana com uma analogia interessante feita pelo vice-governador João Leão (PP) em uma entrevista: ele comparou a base do pretenso candidato a governador da Bahia, senador Jaques Wagner (PT), como um teodolito. Esse é um instrumento de precisão óptico que mede ângulos verticais e horizontais, aplicado em diversos setores como na navegação, na construção civil, na agricultura e na meteorologia. Ele alega ser o tripé que segura o grupo o PT, o PP e o PSD. Se um sai, o “objeto” perde o equilíbrio e cai.

Esse teodolito tem tantos pés quanto uma centopeia: soma-se PSB e Podemos, por exemplo, e outros namoros que estão em construção ainda neste ano com os olhos no próximo. Sigla que foi e pode voltar. Acontece que o desgarramento desses pés, hoje, é muito difícil de acontecer. O do adversário petista sim, ACM Neto (DEM), que precisa se formatar melhor.

Engraçado que Leão prega a tática do teodolito para mostrar equilíbrio, mas ao mesmo tempo os seus reforçam a tese de que o secretário de Planejamento deveria ser governador. O seu próprio filho, deputado Cacá, ainda fala sobre candidatura ao governo. Favas contadas. Pura encenação. A última cartada foi pressionar Rui Costa (PT) e o seu entorno por uma candidatura ao Senado, o que forçaria sua renúncia e colocaria o bonitão como chefe do Executivo por oito meses. O atual morador do Palácio de Ondina deve seguir até o fim do mandato e, se Lula (PT) vencer a disputa presidencial, tende ser um ministro.

O jogo do PP tem um desenho: a dificuldade de achar alguém além do DNA Leão para indicar a uma das cadeiras da chapa, até então a de vice. Nem Leão, nem seu filho podem assumir o posto, pois o atual detentor segue a cumprir oito anos na vaga, cuja recondução é vedada por lei eleitoral. As cartas postas na mesa não são, até então, 100% da cozinha de Vilas do Atlântico.

No mesmo jogo vive o PSD, mas desta vez com o senador Coronel (PSD) que insiste em dizer que Otto Alencar (PSD) deveria ser candidato a governador. Favas contadas. Pura encenação também.

Otto já teria recebido a unção de Lula durante visita ao ex-presidente em Brasília no início de maio e assim para buscar a reeleição no Senado. Isso já teria passado por uma conversa com Wagner. Em agosto, previsão da visita a Bahia, o então pretenso candidato ao Planalto vai terminar de arrumar o baba em um Estado extremamente estratégico que é ponta de lança no colégio eleitoral nordestino.

Eu cheguei a publicar no meu perfil no Twitter, essa semana, o seguinte: “essa briga PSD e PP no teodolito da base governista (LEÃO, João) é queda de braço pelo “cheiro do poder”. Esse “feromônio eleitoral” busca seduzir novas lideranças e segurar aqueles que estão nas siglas. Motivo? Eleições proporcionais de 22: 1ª sem coligações estadual e federal”. De fato.

O teodolito além do tripé - mas essa base tem mais pés do que três - também enxerga o horizonte além. PP e PSD, ambos, com esse jogo, querem segurar prefeitos e/ou lideranças para lançar eventuais nomes importantes de redutos regionais agora com olhos em 2024. Nesse estica e puxa na comparação com o petismo regionalizado no Estado, as duas maiores siglas dos amigos de JW, mais direitistas, correm um trecho maior.

Se esse teodolito vai conseguir enxergar o futuro, isso ninguém sabe. Nem as pesquisas são levadas tão a sério na Bahia e a história mostra isso, que dirá a bola de cristal de madame Beatriz. Mas a engenharia formada do agora, de percepção de curto prazo, isso sim mostra que o traçado já foi feito, só não querer desarrumar.

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Jornalista/ twitter: @victordojornal