Vereadoras de Alagoinhas sofrem violência política





A Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) recebeu denúncias de violência política por parte de algumas vereadoras do município de Alagoinhas (BA). No evento, as edis do município do agreste baiano, Juci Cardoso (PCdoB) e Luma Menezes (Avante), denunciaram agressões em forma de ameaças, por parte de vereadores locais, e solicitaram apoio do colegiado.

“Estamos sofrendo uma onda de ataques, alguns velados, outros diretos, inclusive virtuais”, revelou Luci Cardoso, alertando que as ações têm se intensificado a cada dia, com perseguições, intimidações, disparo de fake news e desinformações, na tentativa de minar a credibilidade das vereadoras.

Segundo Luma Menezes, a cidade é extremamente "machista, misógina, racista e classista" e é um grupo com essas características que quer impedir o avanço das pautas de gênero. “Quando levamos questões a respeito de machismo, violência contra a mulher, entre outros, eles se sentem pressionados a tomarem uma posição, e isso os incomoda”, relatou.

A Comissão dos Direitos da Mulher acolheu as denúncias e decidiu tomar várias providências, entre elas agilizar a realização de uma audiência pública sobre violência política, com a participação de deputados, federais e estaduais, e vereadores; encaminhar ofício ao presidente da Câmara de Vereadores de Alagoinhas, dando ciência da situação; e intermediar junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP), Ministério Público e a Ordem dos Advogados da Bahia, para a solução do problema.

Coordenada por Olívia Santana, presidente da comissão, a reunião contou com a presença das deputadas Maria del Carmen (PT), Fátima Nunes (PT), Mirela Macedo (PSD) e Fabíola Mansur (PSB). Para Olívia Santana, é fundamental a construção de um ambiente de convivência respeitosa nas casas legislativas, com as mulheres livres para exercício dos seus mandatos, “o que é difícil num território hegemonizado pelo masculino”, constatou.

A violência contra mulheres no Brasil cresceu em 20% das cidades durante a pandemia. Em 483 cidades houve aumento de casos de violência contra a mulher durante a covid-19, que atingiu o Brasil em fevereiro de 2020. O número equivale a 20% dos 2.383 municípios ouvidos pela nova edição da pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) sobre a pandemia.

Em 269 (11,3%) municípios, houve elevação nas ocorrências de violência contra criança e adolescente, em 173 (7,3%) foram registrados mais episódios de agressão contra idosos, e em 71 (3%) contra pessoas com deficiência. Em outras 1.684 cidades (70,7%), as prefeituras não receberam mais denúncias de violência contra esses segmentos.

AGOSTO LILÁS - Nos últimos dias, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 3855/20 que institui o “Agosto Lilás”, mês de referência ao enfrentamento e combate a violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. Com isso, o objetivo é o de sensibilizar a população e debater estratégias para a redução da violência contra as mulheres.

Na Bahia, a Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres (SPM-BA) tem realizado diversas ações para combater a violência contra as mulheres. Dentre as iniciativas é possível destacar a capacitação de profissionais que atuam nas áreas de atendimento às mulheres, sensibilização e divulgação dos canais para denúncia de violência doméstica e familiar, elaboração de campanhas voltadas para o público feminino e projetos de empoderamento e autonomia econômica.
Com a Tribuna