De olho em 2022, Lula cumpre agenda em Salvador nesta quarta-feira





Na tentativa de ampliar o arco de alianças e pavimentar o seu caminho para 2022, o ex-presidente Lula chega à Bahia nesta quarta-feira (25), estado que mais deu votos ao PT nas últimas eleições presidenciais. A previsão do desembarque em Salvador é às 10h30 e ele já deve seguir direto para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

Há a expectativa de que de lá mesmo o petista conceda uma entrevista coletiva e, às 16h, tem um encontro com o PT e representantes de movimentos sociais para uma discussão com o tema "Combater a Fome e Reconstruir o Brasil". À noite, Lula tem um jantar com o governador Rui Costa (PT) e os senadores Jaques Wagner (PT), que foi Ministro-chefe de Relações Internacionais em seu governo (2005-2006), Otto Alencar (PSD), e o vice-governador João Leão (PP).

"Nós vamos conversar, discutir, é sempre bom ouvir a experiência de Lula, o homem é uma enciclopédia da política no Brasil, sempre bom conversar com Lula. Fui vice-líder dele por quatro anos no Senado substituindo Fernando Bezerra", disse João Leão ao grupo A TARDE, reforçando que não se trata do senador do MDB-PB Fernando Bezerra, o atual líder do governo Bolsonaro no Senado, mas sim de um homônimo, do Rio Grande do Norte (1995-2007).

Na quinta-feira, 26, Lula visita a Policlínica de Salvador no bairro do Narandiba, às 9h30, e depois concede entrevista coletiva, marcada para as 11h. O petista almoça se reúne com os presidentes dos partidos da base aliada do governo na Bahia, do PT, PSD, PP, PSB, PCdoB, POM e Avante, no Hotel Fiesta. Às 16h, vai ao bairro da Liberdade onde tem encontro marcado com lideranças de movimentos negros da Bahia, na Senzala do Barro Preto.

A caravana do pré-candidato do PT à presidência teve início em Pernambuco, a sua terra natal, no dia 15 de agosto. Nos dias 17 e 18 ele esteve no Piauí. No dia seguinte, já estava no Maranhão, onde permaneceu até o dia 20. Ele passou ainda por Fortaleza e está em Natal antes de chegar na capital baiana.

Presidente estadual do PSB e presença garantida no almoço, a deputada federal Lídice da Mata diz a conversa com as lideranças deve ter caráter "institucional", ainda sem o "tom da campanha", muito também por efeito colateral da pandemia de Covid-19. Segundo a parlamentar, o objetivo é que nenhuma das atividades promova aglomeração.

Mesmo sem os ares de campanha eleitoral, Ademário Costa, presidente do PT em Salvador, tem certeza que a vinda de Lula vai mover as peças do tabuleiro político local. "É um grande negociador, um articulador", avalia.

"Não tenho dúvida que o cenário político da Bahia vai ser alterado depois de Lula, as alianças serão mais consolidadas", prevê Ademário.

O petista acredita que a passagem de Lula pela Bahia tem grande significado. Além de ser um celeiro eleitoral, onde o partido quebrou a hegemonia do grupo de ACM, o estado se identifica com a própria figura do ex-presidente. O líder do diretório municipal recorda que foi Lula quem deu a Wagner o apelido de "Galego", como é conhecido até hoje, e que os nordestinos reconhecem nele o único presidente que olhou de fato para os problemas da região e permitiu o seu "desenvolvimento industrial e econômico".

"Existe muita expectativa da vinda dele por conta da esperança que ele representa para o povo brasileiro, em especial nordestino, onde tem os maiores índices de aprovação", cita Ademário. "No governo, ele recuperou o tempo perdido no Nordeste e reorganizou desenvolvimento industrial e econômico, que fez com que regiões menos favorecidas fossem priorizadas, para se livrar da dependência e da exclusão histórica. Ele mudou o mapa geopolítico do Brasil. Por isso o povo não esquece", destaca.
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