César Romero reúne em minicontos sua mais nova produção estética durante a pandemia

         



O artista plástico César Romero reuniu, durante a pandemia, num só site da Amazon.com, cinco livros de minicontos realizados neste ano. As obras em formato digital podem ser acessadas no link cesarromero.art.br/livros, que apresentam: “Tempo Nômade”, “Reciclário: Um Horóscopo”, “Linha e Vazio”, “Ao Largo” e “Pássaros’ (composto só de desenhos em preto e branco).

Surgindo no campo da Literatura como um novo gênero, o miniconto, microconto ou nanoconto é uma narrativa curta associada à estética do minimalismo, que busca a redução extrema de uma história, fazendo com que quanto menor seja o número de caracteres, maior potência tenha o miniconto. “Na realidade, funcionam como sugestões, deixando o leitor completar a trama e articular a narrativa escondida por trás do texto escrito. A ideia é que, no mínimo de palavras, seja apresentado todo um contexto e uma ação em torno do pouco que é escrito e, na trama, o leitor preencha os ‘espaços em branco’ de acordo com sua imaginação”, afirma César Romero.

De acordo com César Romero, entre as características do miniconto estão as personagens planas, concisão, narrativa direta, totalidade, precisão e disciplina na escolha das palavras e ativar a imaginação do leitor que define o final. 

Tempo Nômade – são 150 minicontos, ilustrado pelo autor. Para a poeta Mirian de Carvalho, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Internacional no Brasil (AICA), e pesquisadora do trabalho do artista, “César Romero traz ao “leitor / autor” de modo sutil, certos focos e desfoques da narrativa a ser continuada e reinventada. Em cada um deles depreende-se uma conversão entre fragmentos do escrito e do visual. Imagem e texto acoplam-se num pertencimento mútuo. São minicontos com ilustrações coloridas, formando um todo expressivo. “Tempo Nômade” é trilíngue, em português, inglês e espanhol.

 

Reciclário: Um Horóscopo – livro que traz uma nova roupagem do zodíaco e novas interpretações visuais de cada um dos 12 signos. É um trabalho de transfiguração, um estudo das imagens, que saem de forma simplória nos jornais, revistas e internet. A apresentação é do crítico de arte paulista Roberto Britto: “O artista sabe que Horóscopo não é Ciência, e que suas revelações são pseudocientíficas, mas que é muito popular para milhões de pessoas em todo o mundo. Refazer o Horóscopo é uma atividade desafiadora, já que se pode correr o risco do alegórico, e Romero passa longe disso”. O que lhe interessa é o conteúdo plástico visual”.

 

Linha e Vazio – formada por desenhos em preto e branco acoplado ao texto escrito. Além do redigido, César Romero faz plasticamente um estudo sobre os espaços no desenho. As linhas, de forma simples, se unem, se atravessam, e se somam no preto do desenho e o branco do papel. Um diálogo de grande inventiva e sinceridade.

 

Ao Largo – são cartas trocadas durante o final do relacionamento de dois rapazes, baseando-se no roteiro do filme de mesmo nome, ainda em fase de montagem, que foca o Largo 2 de Julho e adjacências, no centro de Salvador, onde a diversidade do local é também abordada. As ilustrações são fotos do autor, que revelam parte significativa da história da capital da Bahia e sua memória. O livro é bilíngue – português e inglês – e ressalta a arquitetura, as ruas de dia e à noite, as angulações, os desvios, as luzes, os claros, os escuros, as flores, frutas, bichos e personagens que vivem nas ruas do emblemático Largo 2 de Julho. É um livro sensível e cuida dos encontros e desencontros do humano.

 

Pássaros – livro de desenhos que foi prefaciado por Mirian de Carvalho e que destaca: “Sozinhos, em bando, aos pares, esses pássaros delineiam linhas e passagens. Desdobrando-se das linhas retas ou das curvas ondeantes, o trajeto desses pássaros circunda a vida. O trabalho do artista se revela conjunto unitário de imagens e enigmas. São desenhos beirando o minimalismo, enxutos, onde os pássaros voam num lugar imaginário”.

 

Sobre Mirian de Carvalho

Poeta e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Internacional no Brasil (AICA), Mirian de Carvalho é doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde lecionou a disciplina Estética nos programas de graduação e pós-graduação. Foi vencedora do Prêmio Sergio Milliet de 2016, instituído pela Associação Brasileira de Críticos de Arte com a publicação do livro de pesquisa “A brasilidade na pintura de César Romero”.