O outro importa!

         



Por Diácono Joselito Conceição
Caridade, solidariedade, temos a tentação de dizer que são a mesma coisa, às vezes até chegam próximos, “mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Tomando o dicionário de Aurélio, um dos mais afamados no Brasil, solidariedade é: “Laço ou vínculo recíproco de pessoas independentes” (...); “Adesão ou apoio à causa” de outrem. Caridade é “O amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem”. O Apóstolo Paulo, nos seus escritos, em um trecho da primeira carta à comunidade de Corinto, capítulo 13 versículos 1- 10, define excelente conceito de caridade.
“Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse caridade, seria como um bronzeque soa ou como um címbalo que tine.” Diz mais;
“A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade”.
Paulo compõe um hino ao Amor.
A solidariedade espera reciprocidade, podemos tê-la na defesa de causas que beneficiam pessoas e/ou instituições, uma virtude que infelizmente está cada vez menos presente na nossa sociedade, muito menos a caridade, que é amor doação, nada quer em troca. O Mestre e Senhor Jesus, disse: “dar com a mão direita, de tal forma, que a esquerda não veja”. A Pandemia gerada pelo vírus Covid 19, obrigou a muitos reaprender essas virtudes.
As casas de caridade vivem de doações e independente do gesto voluntário dos seus doadores (que pode ter características de caridade, ou não), o que valida a ação dessas casas é o que acontece no seu interior, o tratamento dado aos seus assistidos, isso necessariamente tem que ser caridade. Temos que Louvar quem pratica essa virtude tão cara, que graças a Deus, tem quem pratique. Certa vez, conversando com irmão Gabriel, do Abrigo São Gabriel dos Idosos de Deus, perguntei: Qual a maior necessidade da casa? Ele respondeu: Afeto. Comentou irmão Gabriel: “procuramos cuidar bem dos assistidos, oferecer a eles, além da assistência, carinho para seu bem estar, conforto espiritual; temos uma boa equipe, contudo voluntários são raros”. Observamos que as pessoas faziam doações com muito boa vontade, mas nem sempre tinham com os favorecidos um contato de afetividade. Os da casa precisavam ser mais afetivos compensando. Podemos imaginar, nesse período de pandemia, com as restrições sanitárias, sem as visitas, como deve ter aumentado a carência afetiva daqueles“Idosos de Deus”.

O outro importa!
Nesse período de pandemia muitos perderam emprego, sem recursos para moradias estão abrigados nos viadutos e passeios, muita gente se dispõe a ajudar, pois não querem os reflexos negativos dessa situação deprimente. Contudo precisamos ir mais além, essas pessoas necessitam mais do que assistência, precisam sentirem-se amadas, perderam tudo, não podem perder a dignidade.
Diácono Permanente, Radialista, Articulista.