As siglas de Bolsonaro e o tabuleiro da Bahia





Por Victor Pinto
Bastou o presidente da República, Jair Bolsonaro, citar nominalmente alguns dos partidos os quais pretende se filiar para concorrer o pleito do próximo ano e a agonia regional das siglas ganhou força, ou pelo menos de parte delas. Em entrevista recente à Veja, o inquilino do Planalto citou PP, PL, PTB ou Republicanos como uma das suas possíveis legendas.

Das citadas, creio, somente o PTB o aceitaria de bom grado. Inclusive, pelo que pude garimpar em Brasília, a tendência forte é Bolsonaro tomar para si a agremiação de Roberto Jefferson. O partido na Bahia passa por reestruturação e, com certeza, seria turbinado com o ingresso do capitão. O ex-deputado petebista pivô do escândalo do mensalão, inclusive, já havia me dito em uma entrevista ano passado durante sua passagem no Estado que faria de um tudo para tê-lo em suas fileiras. Cogita-se, inclusive, até mudança de nome e também de identidade.

Ainda na análise da Bahia, tirando o PTB do jogo, a confusão estaria formada na engenharia política no Republicanos, PL e PP. O partido da Igreja Universal se veria obrigado ter João Roma candidato a governador, tudo aquilo que o alto comando não quer. Eles querem rumar com ACM Neto (DEM) e tentar abocanhar a vaga do Senado para Márcio Marinho. Roma, deputado federal licenciado, tem vivido uma queda de braço interna, conforme já analisamos em outra oportunidade. Contudo, se o Republicanos não tiver coragem de ter Bolsonaro pra jogo, nada impede o ministro de ir aonde o chefe do Executivo for.

No PP haveria um inferno astral, pois estão muito bem, obrigado, na base do governo petista local. A sigla faz parte da base de Jaques Wagner (PT), pré-candidato a governador. Leão, vice, inclusive, almeja o posto de chefe do Executivo baiano numa articulação que passa por Rui Costa (PT) renunciar e concorrer ao Senado. Também já se declarou para Lula (PT) durante a passagem do ex-presidente em Salvador.

O PL, por sua vez, poderia passar por situação semelhante ao PTB com uma espécie de reforço, mas ninguém sabe se Valdemar da Costa Neto, presidente nacional, deixaria Bolsonaro correr solto na legenda. Atrapalharia os planos, por exemplo, de José Carlos Araújo e companhia: o PL pretende marchar nos caminhos de ACM Neto e tem espaços garantidos na prefeitura.

O percurso nacional de Bolsonaro, das letras já citadas, pode causar um mal-estar nas políticas já empreendidas e arrumadas na Bahia para alavancar ou derrubar ao chão históricos e alianças. Os caciques nacionais, após a entrevista do semanário, inicialmente, correram do Planalto, depois fizeram acenos obrigatórios por serem da base, mas o conjunto das declarações soou como aquele que não quer uma visita indesejada. O tabuleiro está posto com peças se mexendo. A chegada do player bagunça tudo e recompor vai seria bem difícil.

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Jornalista // twitter: @victordojornal