Dinailton observa que minoria elegerá nova direção da OAB-BA





A pandemia do novo coronavírus agravou ainda mais um quadro que já era preocupante na advocacia baiana, com muitos profissionais abandonando a profissão ou se sujeitando a subempregos, em função da desestruturação do Poder Judiciário no estado. O alerta foi dado pelo ex-presidente e pré-candidato à presidência da OAB-BA, Dinailton Oliveira, em entrevista ao radialista Sigi Vilares, da Rádio Mundial de Luís Eduardo Magalhães, na noite de terça-feira (28).

Outra consequência desse caos vivido pela categoria, segundo ele, é que a nova diretoria da Ordem será eleita em 24 de novembro deste ano pela minoria dos advogados ativos. “A estimativa é que cerca de 60% esteja inadimplente. E pelo regulamento só vota quem está em dia com a anuidade”, frisou, considerando a medida absurda. Afinal, completou, “os inadimplentes continuam sendo advogados”.

“Vou para o embate”

No Programa do Sigi, Dinailton deixou claro que aceitou o convite dos colegas para se candidatar de novo ao cargo que ocupou de 2004 a 2006 com o objetivo de retomar as lutas que travou na sua gestão. “Eles sabem que eu vou para o embate pela reestruturação do Judiciário e pelo respeito às prerrogativas da nossa categoria, mas também pela abertura da Ordem para a sociedade e os movimentos sociais”.

O maior desafio dos advogados, atualmente, segundo o pré-candidato, é se fazer respeitar pelas autoridades, juízes, policiais e até serventuários da Justiça. “Recentemente, um jovem advogado, negro, teve sua carteira da Ordem quebrada por um policial, em uma ilha de Salvador, mesmo se identificando como profissional do direito. Isso é inaceitável”, reagiu.

Dinailton lembrou que a advocacia é a única carreira prevista na Constituição Federal e que prevê o juramento pela defesa da justiça social. Isso mostra, na sua opinião, que a OAB, entidade máxima da categoria, não pode ser uma instituição “limitada a ações que busquem a manutenção dos interesses de pequenos grupos”.