Olé, Bahia!





Por Gilson Nogueira
O trocadilho é inevitável e surge silenciosamente enquanto encosto a cabeça no travesseiro: O futebol tem razões que a própria razão desconhece. Uma delas, tão atual quanto a Porcaria que faz o mundo enloquecer de vez: Não há mais a magia da bola bem jogada, como o Santos Futebol Clube fazia em São Paulo no tempo em que o capeta era menino e tinha em Pelé sua encarnação. Na Bahia, os primeiros campeões brasileiros fizeram com a redonda aos pés o enredo de uma Escola do Balão de Couro como nunca antes na História do Esporte Bretão na terra de Garrincha e de outros craques que projetaram o Brasil para o mundo como a Escola maior do esporte inventado pelos ingleses.

"Viva o Brasil!" era o grito dos garotos que começaram a jogar os babas na Capital do Berimbau como se fossem o espelho dos craques do Escrete Campeão do Mundo, na Suécia, em 1958, sob o comando do técnico Vicente Feola. Na verdade, o estrategista do time era Didi, um dos mais celebrados craques da Seleção que saiu do Botafogo do Rio de Janeiro para ensinar futebol aos espanhóis do Real Madrid que o contratou para dar olé sem usar espada. Didi tinha a classe de um toureiro carioca com a redonda aos pés.

O inventor da Folha Seca, agora, na Eternidade, deve estar dizendo: " O futebol que eu conheci já era! Falta o craque, para dar gosto de ver a bola rolando no Maraca ou em qualquer outro estádio. Ledo engano, pensar em o Brasil conquistar nova Taça Jules Rimet. Temos, na pátria amada, hoje, jogadores de montão e, dentre eles, pouquíssimos craques. Na verdade, atuando no meu país, não dá para lotar uma Kombi." E meu sono, de novo, acaba de ir para a cucuia, só ao imaginar que o Esquadrão de Aço está correndo o risco de ser rebaixado para a Série B. Motivos? Não sei.

Posso dar um palpite, apenas, para justificar a queda do Tricolor na Tabela de Classificação da Série A. Seria a falta de uma postura vencedora em campo? A ausência de uns conselhos dos mais velhos para que o mais jovens entendam que atuar no Primeiro Campeão do Brasil tem que botar o coração no bico da chuteira? Vou dormir, após tomar um calmante, torcendo para meu time do coração dar olé nos paulistas. O Bahia tem tudo para subir na Série A. Que o técnico argentino faça seus pupilos misturarem samba com tango portenho. Quem sabe, possa eu sonhar com um novo título de Campeão do Brasil!
-----------------------------------------
Escritor e jornalista