NOSSAS DÉCADAS





Por Henrique Ribeiro
I
Os dez primeiros anos
São de uma eterna magia
Vivemos no mundo
Da mais plena fantasia
Não precisamos dormir
Sonhamos em pleno dia
II
Na segunda década
Ficamos adultos
Aos doze anos
Conforme a ciência
Se descobrimos sexo é
Com pouca consciência
Aos quinze anos
Mergulhamos na
Nossa adolescência
Vivemos o sexo
Com efervescência
Aos dezoito anos
Chegamos a tão
Maior idade sonhada
Da “Carta de Alforria”
Sempre aguardada
Com pouca paciência
Recebida com euforia
III
A terceira década
Aos vinte um anos
Consumamos a
Maior idade penal
Buscamos a plena
Realização profissional
Já somos senhores da
Nossa condição sexual
A primeira idade
Chega ao seu final
IV
Na quarta década
Na maioria das vezes
Consumamos na
Conquista profissional
Quase sempre somos
O alvo fenomenal
O homem quase ideal
V
Na quinta década
Estamos no apogeu
Somos considerados
E conhecidos como
“Homem de meio
Século de anos
(Quase) dourados”
Patrimônio concreto
Sexualmente (in)certo
A vida se transforma
Em um grande troféu
VI
Na Sexta década
Torna-se nítido
O declínio sexual
Há troca de valores
E mudança de ideal
Transforma a vida
Em fato racional
Com preocupação
No futuro seguro
É muito família
A segunda idade
Termina sua trilha
VII
Na sétima década
A terceira idade
Plena emancipa-se
Queda da sexualidade
O rumo da ociosidade
Cresce o valor da
Verdadeira amizade
VIII
Na oitava década
Cresce o medo
Próximo da morte
Reclamamos muito
Da falta de saúde
E até mesmo de
Uma falta de sorte
Apelamos para
O jogo do bicho
Buscamos o norte
Fingindo de forte
Mas não há bicho
Mulher que lhe
Goste e suporte
IX
Na nona década
Vivemos agora
Apenas a memória
De legados e fatos
Que construímos
Ao longo da nossa
Efêmera história
X
Aos que chegam
A décima década
Tão prometida
Pela ciência como
O Máximo de vida
Seremos sinônimo
De ótima mutação
Poder de superação
Divina realização
Agora somos
Conhecidos como
“O homem de um
Século de anos por
Demais prateados”
Já não temos o ouro
Nem mesmo prata
Só os cabelos cor prata
Carregamos um peso
Equivalente ao ferro
Consideramos a vida
Uma jornada ingrata
Enfim, sem vida
Mais ou menos
Homenageados
Pelos os homens
Somos sepultados
E por nosso Deus
Somos eternos e
Ressuscitados
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Poeta e cardiologista