Procura-se herdeiros do legado eleitoral de Rui





Por Victor Pinto
O governador Rui Costa (PT) é um administrador elogiado dentro e fora do Estado. Um fato inegável e reconhecido até por adversários em conversas no “off”. Mas quando se trata do traquejo político, me parece que seu mestrado e doutorado nas Relações Institucionais e na Casa Civil de Jaques Wagner (PT) não serviram de nada. Com pouco mais de um ano para o fim do seu segundo mandato a frente do Palácio de Ondina muito se instiga a curiosidade de qual será o legado político deixado por Rui quando entregar a faixa ao seu sucessor.

 

Ele mesmo é cria de um legado deixado por Wagner - que tende a voltar. Alguns outros deputados estaduais e federais são frutos dessa articulação também. Mas está difícil mapear os “ruisitas” com lastro eleitoral. Se identificam facilmente aqueles que ficam nos sofás da governadoria. Até um único vereador na Câmara de Salvador não mais existe do seu núcleo duro. Nomes são ventilados e articulações concretas não se mostram.

 

Vejamos: seria Major Denice um nome de Rui para a Assembleia Legislativa da Bahia? Seria o justo. Foi ele quem a lançou no jogo da cova dos leões da disputa pela prefeitura de Salvador. E a federal? Comenta-se de Fábio Vilas Boas, que, de fato, ganhou visibilidade em sua gestão, mas até que se prove o contrário, não é candidato seu ou apadrinhado, pois tem buscado se viabilizar por fora.

 

Mais do que um micro grupo no “teodolito”, Rui precisa de um mandato e sabe disso. Corre o risco de ficar no ostracismo político, jogado inclusive por seus hoje aliados que querem vê-lo bem longe em cargos deliberativos e não escondem esse desejo em conversas de cafezinho. Se não se candidatar ao Senado agora - com uma chance considerável de vitória por ser bem avaliado - ficará à mercê de uma eleição presidencial favorável ao seu contexto: com Lula no Planalto, um ministério será seu. Mas se não estiver…

 

Cogitar ser secretário de Wagner, se uma dessas duas hipóteses não vingarem, pode ser previsão de conflito. JW ficou longe do governo quando passou o bastão e só encostou muito tempo depois, principalmente quando houve a queda de Dilma Rousseff (PT).

 

O governador, ex-vereador da Capital baiana, na atual fotografia, é o melhor nome da oposição para a disputa da prefeitura de Salvador em 2024. Mas tem muita água para passar debaixo dessa ponte e continuar no jogo político é importante para almejar êxito lá na frente. Sem contar que outros nomes podem surgir.

 

Você, leitor, pode até se perguntar: sair de governador para ser prefeito de Salvador? É uma senhora vitrine e para Rui seria fazer história ao romper um tabu petista de nunca ter conseguido o Thomé de Souza. Nos últimos anos, outros ex-comandantes do governo conseguiram uma vitória, a exemplo de Imbassahy (PSDB), e também uma derrota, como César Borges.

 

Nesse jogo sempre existe o criador e a criatura, como sempre gosto de me referir em vários outros escritos. Ou o “crescei e multiplicai”. É possível criar núcleos convergentes diante da habilidade de fazer política. Mas nem todo mundo tem vocação de ser criador ou lapidador de nomes. Outros vão ficar eternas criaturas.
---------------------------------------
Jornalista // twitter: @victordojornal