Samu registra média mensal de 3 mil trotes em Salvador





Foto: Romildo de Jesus
Uma brincadeira de mau gosto que pode provocar mortes. Os trotes para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tem se tornado cada vez mais frequentes. Segundo a Secretaria de Saúde do Município de Salvador (SMS), mensalmente a média de trotes na central de atendimento da unidade da capital é de 3 mil chamadas. Conforme a pasta da saúde municipal, no mês o Samu atende mais de 40 mil chamadas telefônicas. Para o coordenador do Samu, Ivan Paiva, os trotes acabam sendo um tempo perdido que poderia ter sido usado para salvar a vida de quem realmente precisou de atendimento emergencial.

“Existe o trote feito por crianças e o feito por adultos. O primeiro claramente mostra que eles não têm noção do que estão fazendo nem das consequências que esse tipo de coisa traz para o serviço público. Mas o trote pior é o do adulto, pois eles têm consciência do mal que eles estão causando. Eles sabem da importância do serviço. Isso é ruim porque além de ocupar o médico e o telefonista, a gente acaba enviando uma ambulância que poderia estar em outro atendimento. Tem gente que tenta ligar para o Samu por necessidade e encontra o telefone ocupado devido a esse tipo de brincadeira”, disse Ivan.

Conforme o artigo 266 do Código Penal Brasileiro, passar trote para serviços de emergência é crime e o infrator pode pegar de um a seis meses de detenção. No caso de menores que cometem esse ato infracional, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera como gravíssimo e a criança ou adolescente será encaminhado para a Vara da Infância e da Juventude para que sejam aplicadas as medidas socioeducativas, de acordo com a gravidade do trote, dentro da legislação vigente.

“Hoje mesmo temos uma pessoa que liga 600 vezes por dia para o Samu. Uma pessoa que todo mundo na central já conhece o número. Já há registro na ordem de mais de 100 mil trotes deste mesmo número. Infelizmente não posso bloquear o número porque essa pessoa de fato pode precisar de um atendimento. Mas é necessário algum mecanismo para diminuir esse tipo de coisa. É uma situação complexa”, relatou.

Ambulâncias

Segundo Ivan, Salvador tem disponível 62 ambulâncias, sendo 12 de suporte avançado (UTI móvel) e as outras 50 de suporte básico que fazem as transferências dos atendimentos de menor complexidade. Além da capital, o Samu coordenador por Ivan atende Lauro de Freitas (2 ambulâncias), Simões Filhos (3 ambulâncias), Candeias (3 ambulâncias), Madre de Deus (2 ambulâncias), Ilha (3 ambulâncias) São Francisco (2 ambulâncias) e Santo Amaro (2 ambulâncias). Todas as ambulâncias são de suporte básico. As cidades de Camaçari, Dias d’ Ávila e São Sebastião, mesmo sendo parte da Região Metropolitana, fazem parte de outra regional.

Ação

Como forma de diminuir os trotes, sobretudo aqueles feitos por crianças, desde 2008 existe o Projeto SAMU nas Escolas. Idealizado por Ivan Paiva, o projeto é inspirado num serviço realizado na Dinamarca. Além de ensinar como prestar o primeiro atendimento a uma vítima de parada cardíaca, a iniciativa prevê a redução do número de trotes recebidos diariamente na Central do SAMU por crianças e pré-adolescentes. A equipe trabalha com a conscientização dos alunos, destacando a importância do Serviço para a sociedade e os riscos que os trotes oferecem, como a saída de ambulâncias para chamadas falsas enquanto outros pacientes em estado grave realmente estão necessitando do atendimento de urgência. “Infelizmente devido à pandemia paralisamos esse importante projeto”, salientou Ivan.
Da Tribuna