Bolsonaro abandona confronto com STF e redireciona foco para agenda positiva





O presidente Jair Bolsonaro completa neste sábado (9.out.2021) 1 mês sem criticar publicamente o STF (Supremo Tribunal Federal) ou ministros da Corte. Também há 1 mês Bolsonaro divulgou nota de recuo em que afirmou ter feito ofensas “no calor do momento”.

Depois da divulgação do texto, Bolsonaro não fez mais ameaças de descumprir ordens do Supremo –como fez em atos no 7 de Setembro. A nota foi redigida com a ajuda do ex-presidente Michel Temer, que também intermediou uma conversa entre Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes.

No lugar de críticas ao Supremo e ao sistema eleitoral, nas últimas semanas, o chefe do Executivo focou esforços em promover uma agenda positivas de ações do governo e em contornar críticas pela alta no preço dos combustíveis e de alimentos.

Em discursos oficiais desde 9 de setembro, quando divulgou a nota, Bolsonaro apenas mencionou o STF ao falar sobre o marco temporal das desmarcações de terras indígenas. Nessas ocasiões, o presidente limitou-se a dizer que o tema está em análise no STF e defendeu a tese do marco.

Em lives nas redes sociais e em conversa com apoiadores, Bolsonaro também falou sobre o STF ao comentar sobre a indicação de André Mendonça para uma vaga na Corte. O ex-advogado-geral da União ainda aguarda sua sabatina no Senado. Bolsonaro também tem repetido que em 2023 outros 2 nomes deverão ser indicado para o STF.

No dia em que divulgou a carta, o presidente reforçou críticas às urnas eletrônicas, mas baixou o tom em relação ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O chefe do Executivo afirmou em live nas redes sociais que as urnas tinham “brechas” e que “todo mundo quer transparência”.

Também disse em 9 de setembro que estava “pronto para conversar com o Barroso”. Desde então, não retomou críticas ao ministro –ao contrário do que já fez anteriormente quando sinalizou pacificação. Em 19 de agosto, depois de fazer ataques a ministros do Supremo, Bolsonaro disse estar aberto ao diálogo. Dias depois, porém, retomou críticas aos integrantes da Corte.

Na 6ª feira (8.out), Bolsonaro evitou citar o TSE ou Barroso ao afirmar que “não vai ter sacanagem nas eleições”. Em evento em Campinas (SP), o presidente disse que as Forças Armadas vão participar de “todo processo eleitoral”. “Vamos acabar com a suspeição”, disse.

Em entrevista à Veja, Bolsonaro elogiou Barroso pela criação de órgãos de transparência das eleições e disse que, com a participação das Forças Armadas na fiscalização do processo, “não tem por que duvidar” do voto eletrônico.

Apesar da atitude mais contida de Bolsonaro, o presidente ainda não conseguiu viabilizar uma reunião entre os chefes de poderes. Um encontro do tipo chegou a ser anunciado por Luiz Fux, presidente do STF, mas não ocorreu devido à escalada de tensões entre Executivo e Judiciário, depois de críticas de Bolsonaro. Mesmo após a nota de Bolsonaro e pedidos de ministros, a reunião ainda não foi marcada por Fux.

Nesta semana, Bolsonaro disse a integrantes da bancada do agronegócio que, caso fosse reeleito, indicaria 2 nomes ao STF que fossem “alinhados” com o governo e com as pautas do agronegócio. “Se for alinhado conosco, ficam 4 garantidos lá dentro. Além de outros que votam com a gente. Não é que votam com a gente, votam com as pautas que têm que ser votadas do nosso lado”, declarou na 4ª feira (6.out).

Os ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber se aposentam em 2023. Quem for eleito presidente no ano que vem fará as duas indicações para as vagas na Corte. Em 2020, o presidente Bolsonaro indicou Kássio Nunes Marques para uma vaga. Neste ano, indicou André Mendonça, seu ex-advogado geral da União e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.
Do Poder 360