Chuva chata





Entediado, por conta da chuva forte que faz a primeira capital do Brasil parecer o Rio de Janeiro da Serra Fluminense, resisto e, ao mesmo tempo, entrego-me ao desejo de digitar, com o dedo indicador da mão direita, deitado no sofá que vira cama presenteado por uma das minhas filhas, a estupefação diante de títulos de matérias na Internet nossa de todos os dias. O que acabo de ler, agora, no site Notícia Capital, do jornalista Jolivaldo Freitas, um dos melhores do país tropical submergido nas águas dezembrinas o verão do grande Marcos Valle ter ido para a casa do ...Isso! Dá vontade de xingar, como desabafo, por saber de declarações de "políticos", lidas na Net, dignas de uma chanchada de quinta categoria. Grande Zé Trindade, imenso Ronald Golias, fantástico Chico Anísio, fabuloso Costinha e dezenas de comediantes que secam meu rio de lágrimas, certamente, choram, nas alturas, ao saber que seu país virou piada de quinta categoris.

Berro, em silêncio, aproveitando a trégua do tempestade soteropolitana, para ser ouvido, telepaticamente falando, por essa imensa legião de eleitores impelidos a votar por sentirem na alma a necessidade de melhorar o país que de tropical, hoje, tem, apenas, o canto do saudoso Simona na canção do velho Babulina. Pronto, bateu a vontade de matar a fome que anda rareando no velho bossanoveiro. Qual o motivo? Viajo na imaginação e atribuo a "novidade" ao fato de ter que digerir, sem querer, na marra, essa macarronada indigesta que nos pega de surpresa, todos os dias. Tomara que o cafezinho devolva-me o gosto da esperança em um Brasil que o mundo sempre respeitou, apesar dos pratos azedos forçado a bater para não ficar por fora dos acontecimentos. Que venha uma Edição Extra! Daquelas porretas, como, por exemplo, ver Moro ocupando a dianteira na corrida presidencial!
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Escritor e jornalista