A Bahia chora pelos seus





Por Victor Pinto
Desolador cada vídeo e cada notícia que chega das fortes chuvas que assolam o nosso Estado. A cada tweet que via era uma tristeza. A região do Sul baiano, antes castigada no início de dezembro, passou o Natal aos prantos e no desespero. Este pranto resvalou para outros cantos.

A chuva que em algumas outras regiões chegou com calma para a alegria do sertanejo, pois comemora a água no tanque para molhar a plantação e dar de beber aos animais de criação, foi a mesma que assolou quase uma centena de municípios da Bahia. Milhares de desabrigados. São 72 as cidades baianas nas quais os efeitos do forte aguaceiro foram alarmantes e agora estão em situação de emergência.

O conflito que vivemos do debate ambiental é justamente para evitar fenômenos naturais desse tipo. Salvador teve, por exemplo, um dezembro chuvoso em 2021 cinco vezes mais da média local. Um volume dessa magnitude ocorreu em 1989. Investir na atuação e prevenção da Defesa Civil e do saneamento básico se torna a cada dia crucial para cada cidade.

A junção das forças dos governos estadual e federal deve ser considerada nesta semana. É preciso colocar de lado todo e qualquer entrevero político partidário e se unir em favor do povo sofrido que precisa de ajuda. Demonstrar compaixão ao próximo sem qualquer objetivo eleitoral. Outros Estados também se propuseram em ajudar e isso é de um simbolismo de irmandade, a exemplo de São Paulo e Maranhão.

Os artistas da terra ou aqueles que aqui vêm todo ano tirarem seus lucros, os digitais "influencers" que tanto lucram nos TikToks da vida (por mais Whindersson Nunes, meu Deus, que não mede esforços em ajudar!), a mídia nacional vidrada em seu tesão no eixo sul/sudeste precisam acordar e ajudar com a mão amiga do amparo. As próximas semanas serão difíceis.

E fica aquela coisa na cabeça: depois da queda, o coice. Depois do coronavírus (que ainda nos paira), surto de gripe (com toda força, principalmente na capital) e agora essa tragédia das enxurradas… 2021 veio pra ser mais difícil que 2020 e, na última semana do ano, a gente torce para 2022 chegar melhor.

Oxalá tenhamos a força da reconstrução. Não será uma virada de ano fácil, seja nos aspectos físicos dos desastres narrados, seja no aspecto social que está por vir com uma eleição importante, acirrada e raivosa nos batendo na porta. Que o Senhor do Bonfim nos proteja!
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Jornalista e articulista