2022 – UM ANO DE RECOMEÇOS E SUPERAÇÃO





Por Zedejesusbarreto
Depois do fiasco do ano que passou, as palavras que norteiam a temporada de 2022 para a dupla Ba Vi são essas: Recomeço e superação. É preciso recomeçar do zero, fora e dentro dos gramados. Elencos velhos e derrotados desmanchados, novos atletas e nova postura.

O Bahia precisa voltar a se habituar a vencer, acostumou-se a perder e caiu para a Segundona, de onde terá de lutar muito, comer grama para sair e voltar à elite, a Série A, lugar de um time bi-campeão brasileiro.

O Vitória, depois de duas temporadas desastrosas, caiu para a Série C, um inferno. Que o clube encontre então paz e rumo fora de campo e que, dentro do Barradão, o time de futebol retome sua história, volte a ser grande, respeitado, formador de atletas.

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O Leão já treina, desde dezembro, preparando-se para o Baianão que começa dia 15. A equipe de transição do Bahia, a que vai disputar o Campeonato Baiano, também já trabalha, sob o comando do português Bruno Lopes. Uma incógnita, time/elenco e treinador, que é também auxiliar de Guto Ferreira. O pessoal da equipe principal se apresenta nesta terça, dia 4, no CT Evaristo de Macedo.

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O desmanche no Tricolor

Mais de 15 atletas que faziam parte do elenco principal na temporada fracassada caíram fora. A maioria desmotivada, saciada, sem apetite, acostumada com derrotas, na panelinha da esbórnia. Guto prefere atletas mais comprometidos, mesmo sem qualidades de ‘craque’.

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- Estão fora do Bahia/2022: o lateral direito Nino Paraíba (indo pro Ceará), o reserva Guedes, o bom zagueiro argentino Conti, os laterais esquerdo Capixaba e Maik, os meio-campistas Rodriguinho, Jonas, Ranielli, Indio Ramirez, os avantes Gilberto, Isnaldo e Maikon Douglas.

Uns por questão financeira, altos salários e pouco futebol, outros por falta de interesse de ambas as partes pela renovação de contrato findo.

- Alguns atletas têm situação indefinida, por conta de renovação de contrato, salários acima do limite estabelecido para a temporada, interesses de outros clubes e possibilidade de empréstimo. É o caso de Rossi, do goleiro Douglas, dos meias Clayson e Ruiz, dos apoiadores Patrick, Edson, e do lateral esquerdo Matheus Bahia. O becão Luis Otávio também tem proposta pra sair.

- O que tem Guto para o recomeço:

Goleiros: Danilo Fernandes, Clauss, Matheus Teixeira e Denis Junior; Laterais: Borel, Jonathan, Luis Henrique e Djalma (Matheus Bahia tem proposta do exterior e pode sair); Zagueiros: Luis Otávio, Gustavo Henrique, Ignácio, Ligger e Everson; Apoiadores: Patrick, Edson, Lucas Araújo, Luizão e Rezende; Meias: Daniel, Mugni, Marco Antonio (pode ir definitivamente para o Botafogo); Atacantes: Rodallega, Raí, Cirino, Marcelo Ryan, Ronaldo e Saldanha.

- Guto Ferreira está ditando o novo perfil de uma equipe mais forte fisicamente, mais competitiva, com atletas mais comprometidos em campo. O time titular tem pela frente o Nordestão, a partir do dia 23 de janeiro, a Copa do Brasil e a Série B. A prioridade da temporada a volta à Série A. Não vai ser fácil.

- O Campeonato Baiano, hoje nas mãos do Atlético de Alagoinhas, começa no dia 15 de janeiro. O Tricolor estreia dia 15, fora de casa, contra o Bahia de Feira.

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Superação é tudo

- O Vitória contratou o treinador Dado Cavalcanti (ex-Bahia) e mais de um time inteiro de atletas (14 ao todo), a maioria desconhecida. A estreia do Leão em 2022, pelo Campeonato Baiano, é em 16 de janeiro, contra a Juazeirense, no Barradão. A equipe também disputará a Copa do Brasil e a Série C do Brasileirão.

Eis o elenco de 31 atletas para a temporada 2022: Goleiros: Cabral, Caíque, Lucas Arcanjo e Yuri; Laterais: Alemão, Iuri, Vicente e Gustavo Salomão; Zagueiros: Alisson, Carlos, Ewerton Páscoa (!), Marco Antônio e Mateus Moraes; Volantes: João Pedro, Pablo e Alan Santos; Meias: Eduardo, Alan Pedro, Gabriel Santiago, Jadson (a grande aposta, 36 anos e bom currículo!) e Ruan Nascimento; atacantes: David, Alisson Santos, Erik, Hitalo, Jeferson Renan, Luidy, Roberto, Guilherme Queiroz, Dinei e Samuel

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Baianão Interiorano

- Teremos um Campeonato Baiano com cara de Feira do Interior. São dez times na disputa da taça, oito do interior e apenas Bahia e Vitória da capital.

- Atlético de Alagoinhas, atual campeão estadual, treinado por Agnaldo Liz, o Bahia de Feira (vice-campeão), o estreante Barcelona de Ilhéus, Jacuipense, Juazeirense, Doce Mel (de Cruz das Almas) e Unirb de Mata de São João.

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Nordestão disputado

- Bahia e Atlético de Alagoinhas representam a Bahia no Nordestão. O Tricolor porque é o atual campeão da competição (tem quatro títulos) e o Atlético como campeão baiano, estreante na competição. O Vitória está fora, não conseguiu se classificar para a disputa.

- Na primeira rodada o Bahia recebe o encardido Sampaio Corrêa, osso duro entalado na garganta do Tricolor, faz tempo. O Atlético estreia fora, contra o Altos (PI). Dias 22 e 23 de janeiro.

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- A Copa do Nordeste é dividida em dois grupos, A e B. Os times de um grupo enfrentam os times do outro grupo e se classificam quatro de cada grupo, para as finais, a disputa do título.

No Grupo A: Fortaleza, Sport, CSA, Globo (RN), Sampaio Corrêa, Campinense, Sergipe e Atlético de Alagoinhas.

No Grupo B: Bahia, Ceará, Náutico, CRB, Botafogo(PB), Altos (PI), Floresta (CE) e Souza (PB).

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Aniversário murcho

1 de janeiro de 1931 nascia o Esporte Clube Bahia, time de futebol, com as cores da bandeira do estado.

O maior, disparado, dos campeões baianos, com 49 títulos, e único Primeiro Campeão Brasileiro (1959/60), duas vezes Campeão Nacional (1988).

"Somos da turma Tricolor/ Somos a voz do Campeão/ Somos do povo o clamor/ Ninguém nos vence em Vibração// Bahêa! Bahêa! Bahêa!!!” - diz o Hino do professor Adroaldo Ribeiro Costa, feito pra torcida.

Um grito de amor e glórias. É assim que se resume a sua História.

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Mas, cadê o marketing do clube, tão pródigo em eventos e bandeiras “politicamente corretas”... fracassadas em campo? O Bahia comemora 91 anos.

Com 90 anos, data redonda, nada foi feito em comemoração. O Tricolor poderia ter fechado 2021 com a conquista do 50º título do Baianão, mas nem isso conseguiu. Mas macularam o manto branco sagrado com manchas de óleo preto e inventaram um padrão todo vermelho para o time. Nenhuma identidade.

Os marqueteiros do Bahia nada sabem de Bahia, de cultura baiana, tampouco da história do time. Não é possível numa data como 1º de janeiro, abrindo o ano, aniversário, dia do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e ... nada!

Uma direção distanciada da massa Tricolor, longe das arquibancadas. Infelizmente.
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Escritor e jornalista

Foto: EC Bahia