Minha alma chora





Por Gilson Nogueira
A coisa está feia. O título vem antes da crônica, apressado como a porra, suando mais que tampa de cuscuzeiro na cozinha da Bela Vista e lembrando o Bahêa que desembocava no campo da Fonte Nova antiga como se fosse uma legião de "soldados" nus soltando o cacete nos invasores e traidores da pátria amada Brasil. Gol de letra, hoje, é coisa rara, indo dos jornais aos estádios de futebol da terra dos Tupinambás que os portugueses tomaram na base da violência.

E um grito de socorro ensurdece meu desejo de sorrir no início de mais um ano do calendário cristão. Ele vem de diversos lugares da minha terra amada violentamente castigada pelas chuvas pesadas que pareciam o inferno líquido a ceifar vidas humanas a três por dois no mês passado. Para piorar os efeitos da tragédia, sem precedentes na história baiana, o cinismo de quem teria o dever de socorrer os homens e mulheres do vasto território do estado, ao lado da população de conterrâneos duramente prejudicados, até agora, com os efeitos do dilúvio dos novos tempos.

Ouço, ainda. na calada da noite carioca, dentro do meu peito, os gritos de socorro de minha gente e o choro das criancinhas mergulhadas nas lágrimas da fatalidade. Elas, as crianças, e os velhos, infelizmente tragados pelo azar de estar no lugar e hora errados no roteiro da catástrofe. Plagiando o inesquecível Tom Jobim pelo avesso, minha alma chora, em profusão, minuto a minuto, ao saber das difuculdades do Governo do Estado para alcançar com o braço da solidariedade todos os irmåos em Cristo neste turbilhão de fatalidade. E aplaudo o Governador Rui Costa e sua equipe pelo que executam em socorro às vítimas da tragédia que fez sangrar açudes e a população de quase todos os municípios do meu estado.

É dose para leão a vida, cantou o poeta em um samba, um dia. Jogando uma partida de baralho com uma pessoa de outro estado que solidariza-se comigo e cim o povo baiano, lembro e procuro escrever. em letras garrafais que o SOS da Boa Terra continua aceso, na cor do sangue, clamando aos homens e mulheres de bem uma ajuda, seja ela qual for. É preciso, urgentemente, fazer o Feliz Ano Novo ter sentido, onde nasci, para a alegria da minha gente!
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Jornalista