As contas governamentais estão em equilíbrio, uma boa notícia





Por Gerson Brasil
Em meio a tanta turbulência, na economia, na política e no setor social, agora engrossada com ameaças de greves dos funcionários públicos federais, o governo conseguiu uma vitória memorável. O setor público consolidado do país registrou superávit primário de R$ 15 bilhões em novembro. Increbel, mas o governo pagou as despesas e ainda sobrou um caixa robusto. Se continuar com esse desempenho, o próximo presidente da República pegará um país com as contas governamentais, que envolve a União, Estados e Municípios, equilibrados e com uma sobra de receitas. Seria um presente e tanto

Além disso, os agentes econômicos estão atentos a esse quadro, que indica a capacidade do governo federal de pagar o que deve e isto tem reflexo na taxa de juros, embora o acirramento político interfira na hora da instituição financeira conceder o crédito, ou fazer crescer o bolo de reais para colocar à disposição das pessoas físicas e jurídicas.

É claro que dinheiro na mão é vendaval, como disse Paulinho da Viola em “Pecado Capital”. Todo ano de eleição é hora de gastança, pela lógica simples e elementar: qualquer que seja o governo, e sua coloração ideológica, ele, quer, luta para se reeleger.


Mas, por enquanto, o cenário econômico das contas governamentais, que tem um enorme peso na questão dos juros e dos financiamentos, é positivo. As análises econômicas ainda permanecem negativas, com perspectiva de recessão e inflação alta, o que impacta as relações comerciais de maneira geral.

Ao olharmos para o desemprego e para a inflação, o resultado é negativo e vai exigir um enorme esforço do próximo governo para reverter a situação. Mas, se chegarmos às eleições com as contas governamentais em equilíbrio, aumenta e muito as chances de se traçar um caminho, sem sacrifício do consumidor, para a retomada econômica.

Economia não dá cavalo de pau, não faz curva a 180 por hora, nem tão pouco diz: mudei de ideia. Economia é perspectiva e, claro, alguma racionalidade, e não mágica, como tivemos num passado recente e que resultou em 12 milhões de desempregados. Hoje são mais de 13 milhões de cidadãos sem emprego e com um mercado de trabalhão bem restrito, por conta da pandemia e também devido aos problemas da economia brasileira, movida a estatais, subsídios, e com a colaboração de uma enorme máquina governamental, resultado do chamado governo de coalizão.

Quanto menos ministérios melhor, embora haja uma legião de desempregados na área política, à espera de ocupar essa ou aquela posição. No segundo mandato de Lula foram 36 ministério, Dilma chegou a ter 37 e Jair tem 23. Mas o desenho original de Niemeyer e Lúcio Costa consagrou 17 prédios para a chamada Esplanada dos ministérios. É uma pressão enorme sobre quem tem a caneta na mão e pode nomear. E isso significa despesa.

A tentação é grande e, como diz Guimarães Rosa, “Viver é muito perigoso... Quer o bem com demais força, de incerto jeito, pode já estar sendo se querendo o mal, por principiar. Esses homens! Todos puxavam o mundo para si, para concertar consertado. Mas cada um só vê e entende as coisas dum seu modo”.

Ainda estamos longe das eleições e a pandemia não dá trégua. A ciência a toda hora é surpreendida, mas as pesquisas continuam no âmbito das vacinas e dos medicamentos.

No Youtube uma playlist coreana faz uma bonita homenagem a um dos maiores trompetistas do jazz. “A voz de Chet Baker com cheiro de outono”. Uma boa pausa, numa hora de angústia multitudinária, sem que se saiba qual será o desfecho. É bom torcer por Eros. Torcer, e não determinar.
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Jornalista - Secretário de redação da Tribuna