A barganha de Marcelo Nilo: Jaques Wagner ou ACM Neto?





Por Victor Pinto
Apostei com os “Discípulos de Nelito” - grupo de Whatsapp de amigos jornalistas - uma rodada de acarajé com Coca-Cola o seguinte: o deputado Marcelo Nilo (PSB) não sai da atual base governista. Apesar de espancar nas críticas o governador Rui Costa (PT) a quem credencia uma pífia articulação política que pode atrapalhar os caminhos de Jaques Wagner (PT) em busca do retorno ao Palácio de Ondina - e isso o deputado tem razão -, o coordenador da bancada federal baiana na Câmara em Brasília tem uma verdadeira devoção a JW.

 

Foi nos tempos de Wagner que Nilo melhor navegou na política local. Durante os oitos anos do atual senador à frente do Executivo baiano, esteve como presidente da Assembleia Legislativa da Bahia sem dar nenhum trabalho. A não ser quando queria compor a majoritária e isso com todo direito de querer galgar novos ares. Perdeu o timing algumas vezes, inclusive o de deixar o comando da AL-BA, atropelado depois por Ângelo Coronel (PSD).

 

O homem de Antas, município distante mais de 360km de Salvador, tem uma sanha para ser Senador da Bahia. Essa história acompanhei de perto nos bastidores das últimas campanhas. Mas, convenhamos, ele conseguiria essa proeza de ser candidato ao Senado deixando as asas de JW e partindo para o grupo de ACM Neto? Hoje, de fato, não possui assento onde está, pois além de Wagner na cabeça, a vice deve ser indicação do PP de João Leão (PP) e a senatoria com Otto Alencar (PSD).

 

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, apesar de não ter oficializado o convite, em tese, aceitaria o apoio se surgisse de bom grado? Creio que sim. Apoio na política, tal qual um copo de água, quando ofertado, não se nega a ninguém. Mas até que ponto a capilaridade de Nilo o credenciaria a sentar na janela chegando hoje no grupo da oposição? A frente dele, nessa fila, tem tantos outros com bala na agulha para se viabilizar na formação das cadeiras.

 

Ou Nilo tem sentido um cheiro de derrota na base de JW e quer mudar de lado a tempo de continuar em uma base governista ou está jogando verde para colher maduro e demonstrar ser “valioso” ao grupo e assim valorizar sua imagem. Ele tem, em determinadas regiões do Estado, boa penetração política. Para ACM Neto teria um certo simbolismo: tirar um aliado do lado de lá, mas, sinceramente, simbolismo de peso maior seria tirar um Otto ou um Leão.

 

Alguns políticos que ouvi confirmam conversas avançadas de nilistas com interlocutores netistas e vice-versa. Me pregam surpresas futuras com envolvimento de Marcelo Nilo e que podem ocorrer, mas, de verdade, eu pago para ver. Ainda segue tudo dentro do prazo.

 

E por falar em prazo, pelas especulações do ano passado, sairia até dia 10 de janeiro a formação da pré-candidatura de JW com todos os cenários já alinhados. Pelo visto, nada arrumado ainda.
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Jornalista// twitter: @victordojornal