Bacelar não gostou do que ouviu de Rui Costa





Por Victor Pinto
João Carlos Bacelar, o do Podemos, não gostou das declarações públicas dadas pelo governador Rui Costa. O chefe do Palácio de Ondina, trocando em miúdos, foi direto: se o deputado continuar no partido teria eleição muito difícil por ter Moro como possível candidato à presidência da República. Essa fala de Rui causou mal estar nas hostes do antigo PTN.

 

Há quem diga ter sido um ar de superioridade do chefe do Executivo: só vence se estiver com o seu grupo, se não tiver, não ganha. A leitura de muitos foi essa e mais um desgaste, mínimo que seja, fora feito. A conversa prometida, de fato, ainda não ocorreu. Por Jaques Wagner (PT) tudo seria resolvido agora em janeiro, mas pelo visto não será.

 

Não é de agora a possibilidade do Podemos retornar para base de ACM Neto. Cheguei a noticiar isso em novembro do ano passado. Bacelar já foi aliado do ex-prefeito de Salvador. Fez dobradinha quando candidato a deputado estadual e fez parte do primeiro ano de governo, em 2013, no Palácio Thomé de Souza. O primeiro secretário da Educação da gestão netista, herdado da era João Henrique.

 

Ambos tiveram um desgaste eleitoral e a história do cinzeiro voando na parede na briga tida como uma homérica ainda circula entre os causos políticos soteropolitanos. Depois disto, o grupo de Wagner o recebeu de braços abertos. Espaços vistosos ao deputado como o Detran, alvo de cobiça, o Turismo e tantos outros assentos de primeiro e segundo escalão foram ofertados.

 

A relação de Bacelar com Rui começou a ser arranhada na eleição de 2020 na disputa da prefeitura. Havia uma esperança de arranjo na seara governista, mas Rui foi de Major Denice (PT) e a eleição pulverizou. Deu no que deu: vitória fácil de Bruno Reis.

 

Até que para Bacelar esse cenário não ficou tão ruim. Ambos sempre tiveram uma excelente relação e Bruno não é Neto, logo, a possibilidade de avançar um diálogo seria mais fácil. Ou os conflitos seriam todos superados.

 

Bacelar está quieto. Calado. Poucos são os movimentos governistas que contam com a participação de membros do seu partido. Muitos vereadores adotaram a tática geraldiana do “lá e low”. Tô lá, mas também tô cá. Bacelar e os seus na base de Rui e os edis com Reis.

 

O arriar das malas de Moro na sigla inviabiliza qualquer discurso de unidade com o partido que vai lançar Lula na caminhada do Planalto. Conversas em Brasília já aconteceram, pois o União Brasil de ACM Neto deve se unir com o Podemos do ex-juiz/Bacelar.

 

Creio ser uma equação bem complicada de ser resolvida. Para ficar com Rui, o deputado federal teria que abrir mão do controle do Podemos, partido com assento na Câmara Federal. Tem bom trânsito em Salvador. Bacelar estaria disposto a deixar de ser líder para ser liderado em uma outra agremiação? Muito difícil, mas nada é impossível.
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Jornalista e articulista