ACM Neto rebate críticas do PT e exalta avô





O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), rebateu críticas que vem recebendo desde o final do ano passado, por parte do PT, por ter viajado ao exterior no período em que a Bahia enfrentava o caos decorrente das fortes chuvas. Ele também falou sobre a campanha e também sobre articulações para a formação da chapa ao Governo do Estado na eleição de 2022.

"Não passa de politicagem, eu sei que o vivi em Salvador. Não houve um prefeito que tenha se dedicado mais no enfrentamento às chuvas e as pessoas que estavam em área de risco nesta cidade do que eu. A tragédia do Barro Branco eu estava ali presente. O que meus adversários fizeram na época, tentaram tirar proveito da morte das pessoas. Aquilo me deu nojo. Fico indignado e revoltado. Eu vejo que muita gente fica querendo aparecer na foto, fazer vídeo apenas para se promover. Política baixa e eu não faço política baixa", disse, em entrevista à rádio Piatã FM.

O pré-candidato afirmou que, inclusive, mobilizou doações sem ir à público. "Como pré-candidato a governador fiz tudo que eu poderia fazer, sem fazer politicagem. Conversei com os prefeitos, vereadores, mobilizei doações em silêncio. Não fiz um vídeo porque não aceito que tirem proveito da morte dos outros. [Jaques] Wagner não fez nada mais que a obrigação dele; Rui [Costa] não fez nada mais que a obrigação; [João] Roma não fez nada mais que a obrigação dele".

"Nesse momento não tenho mandato eletivo. Eu sofri com o que a oposição tentou fazer e me revoltou. O momento é de ajuda, de compromisso e vamos aguardar para ver o que, efetivamente, o governo federal e o estado vão fazer para recompor as vidas das pessoas atingidas pelas chuvas. As ações têm que ser continuadas, como fizemos em Salvador", finalizou.

O herdeiro carlista também falou sobre explorar o marketing político utilizado pelo avô, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães (1927-2007). "Depois do lançamento da minha pré-candidatura, houve muita especulação. Foi uma surpresa para muita gente resgatar a música do meu avô. [...] Até hoje ela é muito presente na vida de políticos e pessoas no interior. Houve a oportunidade de fazer a releitura", lembrou.

Segundo ele, "há uma figura muito forte do ACM no imaginário das pessoas". "Foi uma pessoa que lutou pela Bahia, que colocou a Bahia em primeiro lugar, que exerceu uma liderança política no país, projetando a Bahia". Ainda de acordo com Neto, há uma lembrança no imaginário popular sobre a questão da segurança pública na época das gestões de ACM e correligionários.

"Na época de ACM, a coisa era diferente. Nos últimos 16 anos, o PT perdeu o controle da segurança pública", atacou. "Hoje a Bahia responde a 14% do número de homicídios. Em Salvador, tem bocada em que a polícia nem consegue entrar. No interior, tem muita cidade na Bahia sem um policial", emendou. Segundo ele, será preciso fazer um trabalho para estimular a Polícia Militar, Polícia Civil e todos os setores da segurança. 

Neto também falou sobre as conversas que mantém com o deputado federal Marcelo Nilo (PSB), que hoje está na base do PT na Bahia. Nas palavras dele, "Marcelo Nilo é um nome especulado, assim como outros nomes estão"". "Não posso tratar sobre especulação e sim sobre fato, e repito, devem se estender as conversas por mais dois meses. [...] Uma chapa competitiva e que traduza melhor o desejo do eleitor. Construção mais ampla e coletiva".

O ex-gestor, contudo, garante que mantém conversas com o pessebista.  "Tenho conversado com Marcelo, mas não é hoje, tenho conversado com ele desde sempre. Isso não quer dizer que a gente faz política juntos. Não vou ser desonesto para dizer que não converso com Marcelo, mas não posso transformar as conversas com ele com uma coisa que elas não são. Seria da minha parte indelicado traduzir publicamente conversas que são no ambiente de confiança e respeito", finalizou.
Da Tribuna