Por Eudo Freitas
Os desdobramentos de conflitos geopolíticos no Oriente Médio têm produzido efeitos que ultrapassam fronteiras regionais e alcançam diretamente a dinâmica do turismo global. A instabilidade em áreas tradicionalmente visitadas, somada a restrições no espaço aéreo e à elevação dos custos de combustíveis, tem alterado rotas, influenciado decisões de viagem e redesenhado o mapa do turismo internacional. Nesse cenário de incertezas, países considerados seguros e com forte apelo natural e cultural passam a ocupar posição estratégica, como é o caso do Brasil — e, de forma particular, da Bahia

O turismo, por sua natureza, é altamente sensível a crises internacionais. Tensões militares e instabilidades políticas impactam não apenas a segurança percebida pelos viajantes, mas também a logística de deslocamento e o custo das viagens. Nos últimos anos, destinos do Oriente Médio e do norte da África vêm enfrentando retração na demanda turística, o que tem provocado uma redistribuição do fluxo global de visitantes. Parte significativa desses turistas busca alternativas em regiões mais estáveis, impulsionando mercados emergentes.
O Brasil aparece como um dos beneficiários indiretos desse movimento. Em 2025, o país ultrapassou a marca de 9 milhões de turistas estrangeiros, estabelecendo um recorde histórico e consolidando a recuperação do setor após os impactos da pandemia. Esse crescimento é resultado de um conjunto de fatores, como a valorização internacional de destinos naturais, a competitividade de preços frente a mercados tradicionais e o fortalecimento de estratégias de promoção turística no exterior. O turismo representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto nacional, considerando efeitos diretos e indiretos, além de desempenhar papel relevante na geração de empregos e no desenvolvimento regional.
Dentro desse contexto, a Bahia se destaca como um dos principais polos turísticos do país. Com forte identidade cultural, patrimônio histórico expressivo e ampla diversidade de paisagens, o estado tem registrado crescimento consistente no fluxo de visitantes internacionais. Em 2025, mais de 211 mil turistas estrangeiros desembarcaram em território baiano, um aumento significativo em relação ao ano anterior. O turismo marítimo também ganha força, com mais de 300 mil visitantes chegando por meio de cruzeiros na temporada 2024–2025, reforçando a posição estratégica da Bahia nas rotas internacionais.
Destinos como Salvador, Porto Seguro, Ilhéus, Morro de São Paulo, Itacaré e a Chapada Diamantina concentram grande parte desse fluxo, combinando atrativos naturais com experiências culturais autênticas. A projeção internacional da Bahia também foi reforçada por avaliações de especialistas que incluíram o estado entre os destinos mais desejados do mundo, destacando sua gastronomia, sua herança afro-brasileira e suas paisagens.
Apesar das oportunidades, o cenário internacional impõe desafios. O aumento do preço do petróleo, comum em contextos de conflito no Oriente Médio, tende a elevar o custo das passagens aéreas, podendo reduzir a demanda global por viagens. Além disso, crises geopolíticas costumam impactar o poder de compra dos consumidores, o que pode afetar diretamente o turismo internacional. Alterações em rotas aéreas e restrições de tráfego também representam obstáculos à conectividade global.
Ainda assim, especialistas apontam que parte desses efeitos negativos pode ser compensada pela migração de turistas em busca de destinos mais seguros. Nesse aspecto, a Bahia reúne vantagens competitivas relevantes. O fortalecimento do afroturismo, especialmente em Salvador, o avanço de iniciativas de turismo sustentável e a crescente valorização do turismo de experiência — que privilegia vivências culturais, gastronômicas e históricas — posicionam o estado de forma estratégica no mercado internacional.
A análise do cenário indica que, embora os conflitos no Oriente Médio gerem instabilidade econômica e incertezas para o setor, também contribuem para uma reconfiguração do turismo global. O Brasil, e particularmente a Bahia, surge como alternativa atrativa nesse novo contexto. Com políticas adequadas de infraestrutura, promoção internacional e sustentabilidade, o estado tem potencial para ampliar ainda mais sua participação no fluxo turístico mundial, transformando desafios globais em oportunidades de desenvolvimento econômico e valorização cultural.
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Escritor, pesquisador e engenheiro
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Referências :
Embratur. Relatório de tendências do turismo internacional. 2025.
Ministério do Turismo. Estatísticas do turismo brasileiro.
Observatório do Turismo da Bahia. Boletim de análise conjuntural do turismo.
ONU Turismo. World Tourism Barometer.
WTTC – World Travel & Tourism Council.
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