A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta terça-feira (6) que a recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela “torna o mundo menos seguro” e constitui uma violação do direito internacional, acentuando uma crise geopolítica de amplas repercussões.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou que a operação – que resultou na remoção do presidente venezuelano Nicolás Maduro e em sua transferência para os Estados Unidos para responder a acusações criminais, incluindo narcotráfico – minou princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas. A ação, segundo o órgão, desrespeitou especialmente a proibição do uso da força contra a integridade territorial e a independência política de estados soberanos.
Em entrevista coletiva, a porta-voz Ravina Shamdasani destacou que a intervenção não representa um avanço para os direitos humanos, mas causa “dano à arquitetura da segurança internacional”. Ela alertou que a medida envia um sinal perigoso de que “os poderosos podem fazer o que quiserem”, ignorando normas multilaterais estabelecidas.
O Secretário-Geral da ONU, expressando preocupação com o aumento da instabilidade regional e global, reafirmou a necessidade de respeito à Carta da ONU. Ele rejeitou soluções baseadas exclusivamente em ações unilaterais ou militares, defendendo um processo político conduzido pelo próprio povo venezuelano.
A ação norte-americana gerou reações divididas no Conselho de Segurança. Países como França, Dinamarca e outros aliados europeus criticaram a violação do direito internacional, enquanto algumas nações latino-americanas apoiaram parcialmente a iniciativa, citando o combate ao narcotráfico e à corrupção. Representantes da Rússia e da China condenaram a intervenção como “agressão armada” e exigiram a libertação imediata de Maduro.
Nos Estados Unidos, o episódio reacendeu debates internos, incluindo pedidos de impeachment do presidente Donald Trump sob a alegação de que ele teria excedido os limites legais ao autorizar uma ação militar sem a aprovação do Congresso.
Analistas e diplomatas alertam que o caso pode representar um ponto de inflexão na ordem internacional do pós-Segunda Guerra, abalando a confiança nas instituições multilaterais e criando um precedente para intervenções futuras, com potenciais impactos profundos nas alianças globais e na estabilidade mundial.
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