Perder e ganhar é do jogo na bola e na vida

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Por Zédejesusbarreto
Há várias maneiras de se jogar coletivamente o futebol. Todas válidas.

  Ganha-se e perde-se jogando aos chutões, no contragolpe, na retranca, com bolas esticadas, na pegada e correria ou tocando, trocando passes, fazendo tabelas, atacando, marcando o campo inteiro, chutando de longe, entrando aos dribles, com jogadas de linha de fundo, alçando bolas, em jogadas bem ensaiadas, na manha, na catimba …

 Alguns estilos mais simples ou simplificados de jogo e alguns esquemas mais táticos, mais envolventes e bonitos de ver… ganha-se e perde-se de todo jeito, esse é o segredo do futebol, ‘uma caixinha de surpresas’, sempre. Ninguém ganha de véspera.

 Porque cada jogo é diferente, tem suas circunstâncias e mistérios, a lógica nem sempre prevalece. Nem sempre vence que joga mais e melhor. Depende.

  Uma partida muitas vezes é decidida pelo brilho individual de um atleta, num lance, em dia inspirado, pela imposição coletiva ou física de uma equipe sobre a outra…   mas tem também há o inesperado, o acaso, o tal ‘sobrenatural de almeida’ de Nelson Rodrigues. É um gramado desnivelado, aquele ‘montinho artilheiro’, uma chuva repentina que cria poças e impede o jogo rasteiro, uma escalação equivocada, uma substituição infeliz, uma lesão repentina, um escorregão, uma furada, um frango, um gol contra, uma expulsão, um erro de arbitragem, uma decisão repentina mal tomada pelo zagueiro, o goleiro, um descuido, um piscar de olho, uma cagada, uma presunção ou arrogância, o pênalti duvidoso, aquela falta, o lance que devia ser matado lá na frente, uma ventania, uma sujeira, a vibração da torcida, o atleta que amarelou, deu tremedeira… e, sem mais nem quê, a vaquinha foi pro brejo, como dizia o Saldanha.

 Outra coisa, que o torcedor cego ignora: tem o adversário. Ele também joga, também quer vencer, tem seus truques, seu valor, não está ali à toa.

  Em campo, com a bola rolando, são 11 contra 11, e, afora os gênios (Pelé, Garrincha, um Messi inspirado…) ninguém é melhor do que ninguém perante a deusa bola. Respeitar o adversário, sempre, seja ele quem for, nunca subestime.   

 Assim é o futebol, um jogo, um esporte que pelo imprevisível tornou-se encantado e um espetáculo universal, fenômeno de massas.

 No futebol, alguns fundamentos para que as coisas possam fluir favoravelmente: o talento, a técnica, a habilidade, o preparo físico, o emocional… e a alma da equipe.

 No mais, é o querer da deusa bola. Ela é tudo.

 É preciso trata-la com respeito e carinho.

 E gostar de jogar bola. Acima de tudo.

 A lição: Quem não sabe perder não aprende a ganhar.

Fev2024 (depois do primeiro Ba x Vi do ano, no Barradão, 3 x 2 Vitória, de virada) 
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Jornalista e escritor