Três Tempos

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Por Henrique Ribeiro

ONTEM
Para não passar fome,
Eu roubei
Restos de alimentos
Encontrados no lixo.
Com mendigos, disputei.
Subexistir precisei.

HOJE
Eu roubo não mais para matar a fome,
Mas para matar a sede psicológica
Do vício que aprendi ao roubar.
Não importa se preciso do objeto
Do roubo, mas preciso
Do roubo do objeto praticar.

AMANHÃ
Com toda experiência adquirida
No mundo do crime, eu roubarei,
Assassinarei e sequestrarei.
Um marginal profissional, tornarei.
A sociedade e aqueles que
Compactuam com o produto
Do crime, incomodarei.
Considerando responsável
Até mesmo por crimes que
Não cometi, assumirei.
Os mandantes, encobrirei.
E por fim, eliminado,
Para satisfazer a opinião pública
Que precisa sempre de um “bode expiatório”, morrerei.
Na memória dos meus
Comparsas, herói serei!
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Poeta, cronista e cardiologista