Por Victor Pinto
No evento Voto 360, em Feira de Santana, neste último fim de semana, defendi a tese de que TV e rádio não são relíquias do passado. Ambos seguem como ferramentas indispensáveis de comunicação política e têm uma capacidade que as redes sociais, de forma muito particular, não conseguem replicar sozinhas: furar a bolha do algoritmo.
Na minha palestra, ao lado da querida jornalista feirense Dandara Barreto, citei a última pesquisa Genial/Quaest, de abril de 2026, realizada na Bahia, que aponta a televisão como principal fonte de informação política para 43% dos baianos. As redes sociais aparecem em segundo lugar, com 30%.
No evento de formação de comunicação política promovido pela Soul Agência e pela Notre Comunicação, lembrei que o estado tem uma das maiores populações do Nordeste, uma extensão territorial enorme e municípios do interior onde o sinal de internet ainda chega com dificuldade. O rádio, nesses contextos, não compete com o digital: simplesmente vence. Pesquisa da Kantar IBOPE Media mostra que 79% dos brasileiros ainda consomem rádio, índice que, no interior nordestino, tende a ser ainda mais expressivo.
A mudança do blocão do horário eleitoral para inserções distribuídas ao longo da grade foi uma transformação que muita gente subestimou. O bloco compacto criava uma espécie de rito coletivo em que todo mundo assistia ao mesmo tempo, todo mundo comentava. Com a fragmentação em inserções, o peso do noticiário jornalístico cresceu proporcionalmente. É o telejornal, o boletim de rádio, a entrevista ao vivo que preenchem o espaço antes ocupado pelo horário eleitoral e, agora, espalhado ao longo da programação.
O consumidor atual é multicanal, pois liga a TV para o consumo linear, mas, no intervalo, já está no celular e nas redes. A coexistência de formatos é a realidade, não a substituição. Quem faz campanha pensando apenas nas redes está falando com quem já concorda. TV e rádio falam com quem ainda não decidiu.
O jornalismo e seus profissionais têm uma função que nenhum impulsionamento paga: credibilidade. Uma reportagem, uma entrevista, uma cobertura regional bem feita atravessa filtros que o algoritmo não atravessa. Chega em casa, no carro, no mercado, no restaurante, na sala de espera de um consultório, na fila da padaria. Na Bahia de 2026, desprezar TV e rádio é entregar votos ao adversário de graça. Os números já disseram isso. Agora, é só ouvir.
Agradeço à curadoria do Voto 360 pelo convite. Eventos de formação em comunicação e marketing político são essenciais para qualificar o debate público e fortalecer a discussão sobre temas que impactam diretamente a sociedade. A conferir.

