A Fecomércio BA projeta perspectivas positivas para o varejo do Estado em outubro, período em que é celebrado o Dia das Crianças, uma das principais datas comemorativas do comércio no segundo semestre. A expectativa é de um crescimento médio de 1% nas vendas dos setores mais ligados à data, em comparação com o mesmo período do ano anterior, seguindo a tendência positiva observada no varejo ao longo dos últimos meses.
O resultado, embora modesto, reflete a resiliência do consumo em um ambiente de juros elevados e orçamento familiar ainda pressionado. A taxa de desemprego no estado permanece em sua mínima histórica, o que contribui para manter um ritmo positivo de vendas, embora em um cenário cada vez mais desafiador.
O presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes, pontua que o momento exige atenção por parte dos empresários, especialmente em relação à experiência de compra e, sobretudo, à oferta de condições de pagamento vantajosas.
“Facilitar o parcelamento e oferecer descontos para pagamento à vista podem ser diferenciais importantes para atrair o consumidor que enfrenta desafios em seu orçamento, contribuindo para um melhor desempenho nas vendas do período”, destaca o presidente do Sistema Comércio BA, Kelsor Fernandes.
INFLAÇÃO – CESTA DO DIA DAS CRIANÇAS
De acordo com levantamento da Fecomércio BA, com base no IPCA, do IBGE, uma cesta composta por 19 itens habitualmente procurados para presentear nessa época registrou inflação acumulada de 5,51% nos últimos 12 meses. O resultado ficou acima da inflação geral da Região Metropolitana de Salvador (RMS), de 3,64%, invertendo o cenário observado em 2025, quando a mesma cesta apresentou variação de apenas 1,45%, bem abaixo dos 4,94% registrados pela inflação geral no período.
Diferentemente de outras datas comemorativas, em que um único segmento costuma concentrar as maiores altas, o topo da lista de produtos para o Dia das Crianças apresenta uma diversidade de categorias. Os maiores aumentos de preços foram registrados em perfumes (12,07%), computadores pessoais (9,96%), bijuterias (7,86%), sandálias & chinelos (7,68%) e calças compridas infantis (6,92%).
A variedade de itens entre os produtos com maiores altas indica que não há um único fator de pressão, mas um movimento distribuído entre diferentes categorias, como cosméticos, informática, acessórios e calçados.
Merece atenção o comportamento dos brinquedos, item mais emblemático da data. A variação acumulada em 12 meses foi de 5,39%, um aumento significativo em relação aos 1,82% registrados no mesmo período de 2025. Embora não esteja entre os maiores reajustes da cesta, a aceleração dos preços dos brinquedos merece atenção, especialmente para as famílias que priorizam esse tipo de presente.
Outros itens voltados ao público infantil também apresentaram alta, como livros não didáticos (5,22%), bolsas (5,17%), vestidos infantis (3,74%) e tênis (2,01%). Já os conjuntos infantis (1,58%) e os relógios de pulso (0,83%) tiveram reajustes mais modestos.
Na direção oposta, sete dos 19 itens da cesta registraram queda de preços. Os destaques foram os aparelhos de som (-4,82%), os sapatos infantis (-3,28%), as bermudas e shorts infantis (-3,15%) e as bicicletas (-2,67%). Também apresentaram recuo os preços de camisas e camisetas infantis (-0,98%), instrumentos musicais (-0,87%) e aparelhos telefônicos (-0,66%). As quedas observadas em eletrônicos e em alguns itens de vestuário podem estar associadas à dinâmica cambial e à maior competitividade do comércio nesses segmentos.
O consultor econômico da Fecomércio BA, Guilherme Dietze ressalta que os valores apresentados representam a variação média dos preços na região. “Dentro de cada categoria, há uma ampla diversidade de opções e faixas de preço. Por isso, a pesquisa é sempre o melhor caminho para o consumidor, seja em lojas físicas ou pela internet, permitindo comparar ofertas e buscar o melhor custo-benefício”, esclarece o economista.
“A data também pode ser uma oportunidade para estimular a educação financeira das crianças. Levar os filhos às compras, mas estabelecer previamente um limite de gasto, é uma forma de ensiná-los a fazer escolhas e compreender o valor do dinheiro. Dessa maneira, a criança pode participar da decisão e selecionar o próprio presente de acordo com a capacidade de consumo da família”, opina o consultor econômico da Federação.


