Durante a caminhada de 6,8 quilômetros, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até a Colina Sagrada, os parlamentares destacaram que, mais do que fé católica, o cortejo vibrante — com todos vestidos de branco, afoxés e blocos afro, grupos de capoeira, música e dança — se traduz na emoção de um espetáculo cultural único. Representa, ainda, um ato de resistência e afirmação da identidade negra e da ancestralidade que fortalece a identidade do povo baiano.
Para além disso, o presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Muniz (PSDB), classificou a celebração como a que mais simboliza a paz no país.
“Toda essa linda manifestação, que atrai pessoas de todo o mundo, em que o povo baiano está de braços abertos para acolher, tenho certeza de que é a caminhada que, no país, mais simboliza a paz e é a melhor e mais importante do Brasil”, frisou Muniz, que aproveitou para renovar os pedidos por uma Salvador melhor.
“Com as bênçãos do Senhor do Bonfim, vamos trabalhar mais neste ano de 2026, aprovando projetos que venham a beneficiar a população de Salvador, principalmente nas áreas de saúde, educação e transporte público”, projetou.
Duda Sanches (União Brasil) considerou a manifestação “a alma da Bahia”. “A Lavagem do Bonfim é a alma da Bahia, porque mostra que aqui, mais do que em qualquer outro lugar, a fé, com todo o sincretismo, une e não separa as pessoas”, afirmou.
Omarzinho Gordilho (PDT) reforçou se tratar de uma caminhada de muita fé, gratidão e agradecimento. “São mais de 15 anos fazendo essa caminhada, que nos leva a fazer uma retrospectiva e, acima de tudo, a agradecer e pedir muitas bênçãos para os soteropolitanos e baianos em 2026”, pontuou.
A líder da oposição, Aladilce Souza (PCdoB), ao considerar o ato como a maior expressão de fé e religiosidade do povo baiano, chamou atenção para a necessidade de redução da violência.
“A Lavagem é um ato de fé e religiosidade do povo baiano, a mais importante festa que abre o calendário, mas também uma ocasião especial para reforçarmos a busca por mais força e energia para enfrentarmos os desafios do ano inteiro e fazermos novos pedidos, em especial pela redução da violência e da intolerância religiosa e racial”, destacou.
Com ênfase na luta pela igualdade, Sílvio Humberto (PSB) reiterou que a Lavagem, que teve como tema “O exercício do Ministério Público de Jesus, o Amado Senhor do Bonfim”, é também um momento de grande relevância para cobrar políticas públicas.
“Esse importante manifesto, marcado por essa demonstração de sincretismo e fé ecumênica que nos leva aos pés do Senhor do Bonfim, é fundamental para colocarmos em prática a nossa capacidade de nos indignar e cobrarmos políticas públicas que combatam a pobreza, enfrentem as desigualdades do nosso país, a exemplo de uma educação de qualidade e igualitária, e garantam igualdade de direitos, para que a população negra e indígena deixe de ser sub-representada nesses espaços de poder”, afirmou.
O vereador Téo Senna (PSDB) destacou que a concentração de milhares de pessoas para reverenciar o Senhor do Bonfim “se reverte em uma demonstração de fé muito grande para resolver a situação em que nosso estado se encontra, além de pedidos por melhorias para o nosso povo”.
Felipe Santana (PSD) afirmou que a Lavagem, que completou 281 anos, é um símbolo histórico de resistência, fé, tradição, cultura e união. “Um momento de muita emoção, em que as pessoas se unem com esperança por um ano melhor e renovamos o nosso compromisso de fazer a diferença na vida de quem mais precisa”, declarou.
Os vereadores Daniel Alves, Rodrigo Amaral, ambos do PSDB -, e Sandro Filho destacaram a relevância da celebração para o povo baiano.
História
A Lavagem do Bonfim é o maior evento popular e religioso de Salvador antes do Carnaval. Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), organizadora da festa, a construção do santuário de peregrinação teve início no século XVIII, com a chegada à Bahia do capitão de mar e guerra Theodósio de Faria.
O capitão português trouxe de Lisboa uma imagem semelhante à venerada na cidade de Setúbal, como agradecimento por ter sobrevivido a uma tempestade em alto-mar. Em cumprimento a uma promessa, decidiu construir uma igreja no ponto mais alto que avistasse, de onde fosse possível acompanhar a entrada da Baía de Todos-os-Santos.
A Basílica Santuário Nosso Senhor do Bonfim, datada de 1754, é considerada o principal símbolo do sincretismo religioso da Bahia. A lavagem teve início em 1773, embora sua origem exata não seja consensual entre os historiadores.
Uma das versões aponta que a tradição surgiu após um soldado sobrevivente da Guerra do Paraguai lavar as escadarias da igreja em sinal de agradecimento. Outra hipótese indica que o costume teve origem na própria comunidade, responsável pela limpeza da basílica antes da realização da Festa do Senhor do Bonfim.
Há ainda registros que associam a prática aos devotos de São Gonçalo, que mantinham o hábito de lavar o templo antes das celebrações dedicadas ao santo. Também circula a interpretação de que a igreja necessitava de limpeza periódica, prática que acabou incorporada ao ritual religioso e consolidada como tradição ao longo do tempo.

