Por Victor Pinto
A política baiana perdeu, no último sábado, uma de suas figuras mais respeitadas, principalmente no campo do legislativo. A morte do deputado estadual Alan Sanches (UB) interrompeu uma trajetória que se impunha consistência. Pegou a todos nós de surpresa. Em tempos de discursos rasos, Alan representava um tipo cada vez mais raro de parlamentar: aquele que conhecia o jogo, respeitava as regras e entendia que política se faz, sobretudo, com trabalho.
Alan tinha presença forte no parlamento. Conhecia bem da política soteropolitana, tanto que sua principal base era a capital, local onde já foi presidente da Câmara. Depois avançou para a ALBA e estava com a mira certeira na Câmara Federal. Não era um deputado de ocasião, desses que surgem apenas nos momentos de votação ou nas disputas de holofote. Sua atuação era marcada por posicionamentos firmes, o que lhe garantia respeito entre aliados e adversários. Discordava quando era preciso, mas sem romper pontes.
A acessibilidade era uma de suas marcas mais reconhecidas. Sempre disposto a conversar ou resenhar com os colegas e com a imprensa. Essa disposição era genuína. O diálogo fazia parte do seu método de atuação política.
Entendia o papel do jornalismo como parte essencial da democracia e do jogo político. Era sempre disposto a atender, explicar, contextualizar. Para quem cobre a área no dia a dia, ele era sinônimo de confiabilidade.
Seu domínio do Regimento Interno da Assembleia Legislativa era notável. Conhecia como poucos os instrumentos parlamentares e sabia utilizá-los com precisão. Tinha a capacidade de impor dificuldades ao governo quando julgava necessário, sempre dentro das regras, sem pirotecnia ou arroubos. Essa habilidade não vinha do improviso, mas de estudo e experiência acumulada ao longo dos anos. Era um trator quando queria ser, importante frisar.
O “papai urso” chamado em Mussurunga também carregava algo cada vez mais escasso no ambiente político: a compreensão madura dos diferentes papéis institucionais. Tendo vivido a política tanto do lado do governo, quando foi PSD, quanto da oposição, em sua passagem pelo União Brasil, sabia que cada posição exige responsabilidades distintas. Não demonizava o adversário nem sacralizava o aliado. Enxergava a política como um campo de disputa legítima, onde o respeito institucional deve prevalecer.
Por tudo isso, sua ausência será sentida de forma profunda no cenário baiano. Alan Sanches deixa uma marca relevante na história da ALBA, não apenas pelos projetos ou embates que protagonizou, mas pelo exemplo de como exercer o mandato com seriedade e equilíbrio.
A política perde um grande parlamentar. A imprensa perde uma fonte qualificada. A Bahia perde um servidor comprometido. E o Parlamento, sem dúvida, sentirá saudades. Louvável a atitude do governador Jerônimo Rodrigues, que mesmo adversário, rendeu solidariedade e se manteve presente no velório. Da mesma forma registro o sentimento claro, evidente, do prefeito Bruno Reis e do ex-prefeito ACM Neto.
Quero deixar registrado meus sentimentos a toda família de Alan, de modo especial ao vereador Duda Sanches, seu filho, que convivo desde quando sucedeu o pai na CMS e a Leo, o doutor, que, assim como seus outros dois irmãos, vão manter o legado de Alan Sanches. Força.


