O fim da era petista

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Por Joaci Góes

         Ao Procurador-Geral de Justiça Pedro Maia, Presidente do CNPG

Com as recentes e acachapantes derrotas no Congresso Nacional – a recusa do nome de Jorge Messias para o STF e a queda do veto presidencial ao projeto da dosimetria dos condenados por uma inexistente tentativa de Golpe de Estado – o mundo político concluiu que, com o fim do Lula três, findou-se, também, a era do domínio petista no Brasil que, com seis anos e meses de interrupções, se instalou no País, desde janeiro de 2003. Mais grave ainda: essa brusca antecipação do fim de um mau governo que afundou o Brasil, deixará o Presidente refém do que tem tentado evitar a qualquer preço: a imperiosa necessidade de explicar porque tanto se empenhou para evitar que o filho Lulinha e o irmão Frei Chico, supostamente, atolados até o pescoço na roubalheira dos recursos dos velhinhos do INSS, sejam convocados a dar as explicações que a sociedade brasileira reclama. Do mesmo modo, o povo brasileiro quer saber qual o verdadeiro gasto mensal, pago pelo contribuinte, do famigerado cartão de crédito corporativo de uso privativo do casal presidencial, estimado na casa dos milhões, cerca de duzentas vezes maior do que os três mil dólares do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Registre-se, em nome da verdade, que a histórica reprovação de Jorge Messias, pelo Senado, para integrar a Suprema Corte, nada tem a ver com a ausência de méritos pelo candidato; decorreu, pura e simplesmente, da decisão da maioria da Câmara Alta, de convocar o Presidente da República para o patamar da dignidade procedimental mínima exigível de um Presidente da República.

Mais grave, ainda: cada um desses escândalos monumentais, corroborando um estilo de assalto ao Erário, inaugurado com o Mensalão do Lula 1 e aperfeiçoado na Lava Jato do Lula 2, é de dimensões microscópicas quando comparados com o que vier a público do envolvimento presidencial na sesquipedal farra do dinheiro público envolvendo as piruetas faraônicas do Banco Master, a partir de quando o banqueiro Daniel Vorcaro foi recebido pelo Presidente Lula, quatro ou mais vezes, marco do crescente envolvimento de agentes do Estado Brasileiro, inclusive ministros da Suprema Corte, na prática da mais descarada advocacia administrativa de que se tem memória nos anais de nossa História.

Mais perdido do que cego em tiroteio, o Presidente Lula já começa a sentir que o mais conveniente seria acolher as recomendações dos mais sensatos, à sua volta, para uma mais do que justificável desistência de concorrer num pleito em que a derrota se afigura como um futuro presente, ou um futuro que já aconteceu, como diria Peter Drucker, de tal modo evidentes os sinais da crescente rejeição ao seu nome, em razão do abusivo recurso a métodos antirrepublicanos para permanecer no poder. A verdade é que cresce entre os antigos aficionados do Presidente a percepção de que ele é, cada vez mais, uma declinante sombra do que prometeu ser. Com uma previsível e acachapante derrota, se as eleições passarem ao segundo turno, crescem as expectativas de que o fim da era petista possa vir a ser decretada já no primeiro turno. Antes, porém, de renunciar, Lula fará uma desesperada tentativa de reverter a queda livre de sua popularidade, apoiado em quatro pilares: 1- Quebrar, ainda mais, a União, fazendo o que quer que seja para agradar as massas; 2- Hostilizar, gratuitamente, o Presidente Trump para encantar a patuleia ignara; 3- Indicar uma jurista negra para o STF para reverter a decisão do Senado de aguardar as eleições; 4- Apresentar-se como o grande herói capaz de enfrentar o viciado Sistema, inimigo do povo brasileiro: todos que estiverem contra ele.

Sem dúvida, quase um século depois da criação do seu famoso personagem, o modernista Mário de Andrade encontrou em Lula a encarnação máxima de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.

Delendae sunt PT et Lula!