Por Victor Pinto
Encerradas as eleições, começa uma das etapas mais delicadas para Jerônimo Rodrigues que é a montagem do novo governo. Nos bastidores da política baiana, a preocupação de muitos aliados já não é com o resultado das urnas, página já virada, mas com o próprio futuro. Entre os deputados derrotados, suplentes e lideranças partidárias esperando uma oportunidade na administração estadual a pergunta é simples: quem Jerônimo vai salvar?
A lista dos desamparados é extensa, e as vagas disponíveis, limitadas. Secretarias, autarquias e diretorias de órgãos públicos vão passar a integrar as conversas entre o governador e os partidos da base. Cada legenda tem suas reivindicações, enquanto os atuais ocupantes dos cargos também trabalham pela permanência.
A situação poderia ser bem pior se Lula tivesse perdido a eleição presidencial. Sua reeleição preservou uma alternativa importante para acomodar aliados baianos na estrutura federal. Espaços que poderão ajudar a desafogar a demanda que chega ao Palácio de Ondina. Brasília, portanto, também entra na conta dessa reorganização.
Contudo, Jerônimo não tem demonstrado pressa em antecipar suas escolhas. Apesar do comportamento afável, o governador costuma ser reservado quando precisa decidir sobre cargos. Ouve os interessados, conversa com dirigentes partidários e mantém as definições sob seu controle. Esse silêncio, naturalmente, aumenta a ansiedade de quem depende de uma nomeação para continuar politicamente ativo.
A distribuição de espaços entre os partidos acompanha os governos petistas desde a chegada de Jaques Wagner ao poder, em 2007. Jerônimo preserva essa lógica, mas também procura manter autonomia sobre a equipe. O desafio será conciliar os compromissos políticos com a necessidade de melhorar o desempenho administrativo.
Há uma situação particular envolvendo os suplentes dos senadores eleitos. Edvaldo Brito, suplente de Jaques Wagner, e Ronaldo Carletto, suplente de Rui Costa, podem ter suas expectativas frustradas. Ganha força a tese defendida por Wagner de que ele e Rui devem permanecer no Senado para ajudar Lula na articulação com o Congresso. Caso essa posição prevaleça, nenhum dos dois abrirá vaga para o respectivo suplente.
Na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, a expectativa é diferente. A eventual nomeação de parlamentares para secretarias pode permitir a convocação de suplentes, contemplando mais de um aliado numa mesma negociação que é uma solução conhecida, mas dependente dos interesses de cada partido.
Salvar todos os derrotados é impossível, e algumas escolhas produzirão insatisfações inevitáveis. A questão agora é quem receberá a mão estendida do governador e quem terá de procurar outro caminho para sobreviver politicamente. A conferir
Um adendo: caros leitores, este jornalista, após longo período de trabalho quase sem parar no processo das eleições, vai tirar uns dias de folga. Recarregar as energias. De volta se alguma excepcional justificar uma extraordinária ou no devido fim do período de férias. Até o retorno
