Por Antônio Lins
No Brasil, até a cadeia anda com saudade de receber certas visitas.
E há quem já queira reservar uma cela para Gilmar Mendes.
Calma, minha gente: acusação não é sentença, nem manchete é mandado de prisão.
Mas que o nome do ministro aparece em controvérsias, em maracutaias e tô tipo de safadeza isso aparece.
E controvérsia, por aqui, virou quase patrimônio nacional.
Gilmar tem resposta para tudo — menos para o tamanho da confusão que ele armou na Supremo Corte.
Quando a política tropeça, alguém chama o Supremo.
Quando o Supremo tropeça, o povo chama o cronista.
E o cronista, coitado, já está ficando sem papel para anotar.
O problema é que a toga deveria inspirar respeito, não desconfiança.
Quando a autoridade perde a confiança do povo, sobra a piada de esquina e do botequim.
E o brasileiro é especialista em transformar tragédia institucional em anedota.
Prender alguém? Só depois do devido processo legal e de decisão competente.
Mas cobrar explicações, transparência e responsabilidade é obrigação da República.
Porque democracia não pode virar circo — e muito menos espetáculo sem juiz.
o Supremo, virou circo sem.lona, e nós somos os palhaços.
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Poeta, escritor, dramaturgo e comentarista
