IA exige uma TI mais simples e integrada

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Por Bruno Moreira da Silva

A inteligência artificial já deixou de ser uma discussão sobre o futuro e passou a fazer parte das prioridades das empresas brasileiras. Mas, antes de ampliar o uso da IA, muitas empresas precisam resolver um problema mais básico: a complexidade de seus própriosambientes tecnológicos.

Nos últimos anos, empresas de diferentes setores acumularam ferramentas de monitoramento, gestão e automação que nem sempre se comunicam entre si. O resultado é um ambiente com mais dados, mas não necessariamente com mais visibilidade ou controle. É comum quenossos clientes expressem a necessidade de “ver tudo em um só lugar” antes de adicionar novas camadas de inteligência às suas operações.

Os dados mais recentes sobre transformação digital ajudam a dimensionar esse cenário. Uma pesquisa recente com 250 tomadores de decisão no Brasil mostra que 54% das empresas utilizam entre 11 e 25 soluções diferentes para gerenciar suas operações. Além disso,63% afirmam destinar mais orçamento à manutenção do que à inovação. A fragmentação tecnológica também aparece entre os principais desafios da transformação digital no país.

Esse contexto muda a forma como as empresas avaliam os investimentos em tecnologia. A questão não é mais simplesmente adicionar uma nova ferramenta, mas entender como ela se integra ao ambiente existente, reduz a complexidade e contribui para gerar resultadosmensuráveis. A busca por plataformas e arquiteturas mais integradas tende a ganhar espaço justamente porque a expansão desordenada do ambiente tecnológico pode limitar a capacidade de inovar.

O Brasil apresenta características particulares nesse processo. Segundo a mesma pesquisa, o país lidera, entre os mercados latino-americanos analisados, a adoção de modelos centrados em plataformas e orquestrados por IA. Ao mesmo tempo, 62% dos entrevistadosbrasileiros afirmam ter dificuldades para transformar os investimentos em IA em um retorno mensurável para o negócio. Essa maturidade, no entanto, também expõe antes os problemas que ela traz consigo: mais ferramentas significam mais superfície de ataque,e mais da metade das empresas locais registrou, no último ano, um aumento de ciberataques bem-sucedidos. O Brasil, no fim das contas, não está se atualizando em relação à IA: está à frente da região, e por isso é também onde antes aparecem os desafios de governançaque o restante da América Latina vai enfrentar depois.

Isso significa que a discussão sobre IA precisa avançar da experimentação para a operação. À medida que os sistemas passam a executar tarefas e agir de forma mais autônoma, questões como integração, governança, segurança e mensuração ganham ainda mais importância.Não basta saber o que um agente de IA pode fazer; é preciso definir onde ele pode atuar, com quais dados, sob quais regras e como seus resultados serão monitorados. A diferença aparece nos números: quando essa governança está bem resolvida, as operações deIA apresentam reduções de até 70% nos incidentes que chegam à produção e até 40% a mais de resolução autônoma.

Essa transformação também exige uma mudança na forma como parceiros e fornecedores acompanham tecnicamente seus clientes. O trabalho não termina com a implementação: é preciso entender a arquitetura do cliente, seus sistemas legados e suas regras de negócio,e sustentar esse acompanhamento junto com parceiros com capacidade real para integrar soluções em ambientes heterogêneos, sem forçá-lo a depender de um único fornecedor.

No Brasil, esse ecossistema reúne parceiros globais e empresas com conhecimento do mercado local: entre os parceiros estratégicos globais (GOSI) estão HCLTech, Tech Mahindra, Kyndryl e Accenture, além de uma rede de parceiros locais que inclui IcaroTec, LotusICT, TDI, LTA-RH, LCS e Master Support, entre outros. A combinação de capacidade técnica, presença regional e experiência em diferentes indústrias é fundamental para apoiar empresas em diferentes estágios de maturidade digital. A evolução da gestão de serviçostambém não precisa se limitar à área de tecnologia: os processos digitalizados e integrados podem alcançar diferentes áreas da organização e criar uma base para novas aplicações de automação e IA. O Grupo Moura, um dos principais fabricantes de baterias dopaís, ilustra bem esse caminho: é um exemplo de como uma indústria tradicional pode modernizar sua operação de TI atendendo não apenas à área de tecnologia, mas também às suas próprias áreas de negócio em diferentes geografias.

O desafio do Brasil, portanto, não é apenas acompanhar a evolução da inteligência artificial, mas criar as condições para incorporá-la de forma sustentável às operações. Isso implica reduzir a fragmentação, integrar dados e sistemas, fortalecer a governançae preparar profissionais e parceiros para atuar em ambientes cada vez mais automatizados.

A maturidade digital traz benefícios, mas também expõe problemas que antes podiam permanecer ocultos. No Brasil, onde a adoção de plataformas e IA avança rapidamente, o próximo passo será transformar essa evolução tecnológica em operações mais simples e integradas,capazes de demonstrar de forma concreta o valor gerado para o negócio.

Esses são os temas que vou levar ao BMC Helix Roadshow São Paulo, no próximo dia 24 de setembro, onde também vão falar clientes dos setores de telecomunicações e finanças que já avançaram nesse caminho: como transformar ambientes de TI fragmentados em operaçõesmais simples, integradas e com resultados mensuráveis para o negócio.

Country Director / Head of BMC Helix Brasil