O FUTEBOL MUNDIAL NÃO TEM MAIS OS CULHÕES DE MARADONA. NEM DE SÓCRATES

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Por José Armando Nogueira

Esta é uma linguagem que não me é usual. Peço desculpas não só aos jovens e às famílias, mas também àqueles que, como eu, amam a Última Flor do Lácio.

Mas não quero, aqui e agora, voltar às páginas primárias da língua portuguesa, nem a uma grosseira maneira de dissecar a anatomia humana, seja por um método vitruviano, de Da Vinci, seja por um bisturi estético orientado por Machado, ou por um mestre de além-mar.

Quero falar da falta de vozes. Da falta de atitudes.

Quando, ao que me parece, pela primeira vez numa Copa do Mundo, jogadores de futebol são detidos e interrogados por mais de sete horas em um dos países-sede do torneio, sendo que um de seus integrantes, iraniano, até esta tarde de domingo, às 17h25 do dia 7 de junho, tinha paradeiro ignorado.

Quem, além de Diego Armando Maradona, a quem rendo homenagens póstumas, teria coragem de convocar púlpitos, estúdios de rádio, internet, TV e imprensa para denunciar esse abuso?

Será que só os mortos, como Sócrates, do Corinthians e do Brasil?

Por que não um batalhão de capitães de seleções nacionais?

Já que a paura e a falta de consciência os impedem, caberia, em primeira mão — ou, na hipótese menos covarde — ao presidente da FIFA, Sr. Infantino, e à entidade promotora dos espetáculos, mas também a mais omissa e conivente, pedir explicações a toda e qualquer autoridade de uma nação, os Estados Unidos da América, que já foram reverenciados como suportes da liberdade e da democracia no mundo, mas que hoje têm atitudes de uma republiqueta de banana, em sua versão trumpista, da maneira mais torpe, violenta e desprezível.

Fariam isso sem ouvir o urro de Maradona?

Acredito que não.

Até pela força poderiam expulsá-lo, mas tenho certeza de que Maradona levaria consigo todos os futebolistas que, além do jogo, tivessem um pingo de vergonha na cara.

Também é para isso que servem os órgãos masculinos, e não apenas para protegê-los nas barreiras diante de uma cobrança de falta.

O silêncio e todo o resto são exemplos de covardia, cumplicidade e medo.
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Escritor e publicitário