Por Ernane Gusmão
Um cheiro de crisântemo e saudade
exala do portal e da janela …
Passo o batente, um fervor me invade,
o vulto de mamãe o espaço vela.
Ao canto, enferma, a solidariedade,
ferida mortalmente me enregela.
Aguço os sentidos, na acuidade
ouço o silêncio me falando dela.
Entrei … no quarto morno em que dormia,
um texto do Evangelho repetia
velhas lições de amor e caridade.
Chorei … e o pranto fluirá perene,
pois nada há no mundo que serene
as lágrimas da dor e da saudade.
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Poeta, musicista e médico. Membro da Academia de Cultura da Bahia

