Saudade

No momento você está vendo Saudade

Por Ernane Gusmão

Um cheiro de crisântemo e saudade
exala do portal e da janela …
Passo o batente, um fervor me invade,
o vulto de mamãe o espaço vela.

Ao canto, enferma, a solidariedade,
ferida mortalmente me enregela.
Aguço os sentidos, na acuidade
ouço o silêncio me falando dela.

Entrei … no quarto morno em que dormia,
um texto do Evangelho repetia
velhas lições de amor e caridade.

Chorei … e o pranto fluirá perene,
pois nada há no mundo que serene
as lágrimas da dor e da saudade.
——————————————————–
Poeta, musicista e médico. Membro da Academia de Cultura da Bahia