E a Bahia Farm Show de 2026 tem um ingrediente a mais: é ano eleitoral. E isso muda o sabor de tudo e esquenta o jogo

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Por Victor Pinto

ACM Neto chegará ao evento com diálogo direto dos grandes produtores. Ele também é fazendeiro pela bandas do recôncavo. Vem de família com raízes no agronegócio baiano, principalmente no Sul, na região do Cacau, e quem conhece a trajetória de Dona Arlette Magalhães, sua avó, sabe dessa ligação. É história de família. Por mais que tenha sido criado na capital, tem um histórico que o precede na política e na economia. Essa identificação tem valor eleitoral que nenhum marqueteiro venha fabricar, pois conhece os herdeiros, os de dentro do jogo do agro, inclusive com alguns dos seus principais aliados na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal também como pontes.

O governador Jerônimo Rodrigues chega de outro lugar e isso também é legítimo. Não vem de família de grandes proprietários ou históricos. Vem da agricultura de subsistência. Sua base política tem raízes no movimento dos trabalhadores rurais, na agricultura familiar, na reforma agrária do MST. São mundos distintos dentro do mesmo campo.

Mas aqui está o ponto mais interessante dessa equação: saber transitar nesses dois mundos. O grande produtor de soja do Oeste e o agricultor familiar do semiárido têm demandas diferentes, mas compartilham um mesmo horizonte: querem crédito, infraestrutura, logística e segurança jurídica. Quem souber falar com os dois ao mesmo tempo lucra.

A presença de representantes de Lula no evento não é detalhe, pois o governo federal sabe que o agronegócio baiano cresceu e que ignorá-lo seria um erro estratégico. O agronegócio brasileiro alcançou R$ 3,20 trilhões em 2025, representando 25,13% do PIB nacional. Esse setor balança eleição de presidente, pode eleger governador e eleger senador.

A vinda de Flávio Bolsonaro também merece leitura política. O PL quer marcar território no oeste baiano, região historicamente mais receptiva ao conservadorismo com uma aposta em 2026 com endereço certo.

A Bahia Farm Show não é só feira de negócios, pois ela é também termômetro político. E o oeste baiano, por uma semana, vai pautar o noticiário e o cenário político. Quem aparecer bem nessa vitrine carrega um ativo valioso para outubro. A conferir.