Onde estão os vices?

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Por Victor Pinto

Os candidatos a vice-governador parecem ter perdido lugar na campanha baiana. É normal que a disputa concentre atenções em ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, mas Zé Cocá e Geraldo Júnior, respectivamente, aparecem como personagens com contribuição própria relativizada. O estranhamento aumenta quando lembramos do espaço ocupado pelas escolhas das chapas em 2022. Naquela eleição, os vices faziam parte da discussão política, principalmente na chapa governista. Agora, parece assunto resolvido só na convenção.

Quem vota no governador também escolhe quem poderá substituí-lo e, eventualmente, assumir o comando da Bahia. Além dessa responsabilidade, um vice pode ampliar relações, mobilizar lideranças e representar territórios, ponderações que podem ser feitas aos atuais nomes que compõem a principal polarização da disputa do Palácio de Ondina. Sua presença precisa fazer sentido durante a campanha e oferecer ao eleitor alguma indicação do papel que terá no governo.

No campo do PT, Geraldo chegou à chapa de Jerônimo, em 2022, carregando vários acontecimentos. Foi uma avalanche de fatos, principalmente na pré-campanha. Na época, ele era presidente da Câmara de Salvador, havia rompido com o grupo de ACM Neto e representava o reencontro do MDB com o campo petista e sua entrada dava um carimbo de Salvador à candidatura de um professor do interior ainda, na época, pouco conhecido do grande público. Havia ali uma reunião de movimento, de expectativa e de uma promessa de mobilização na capital.

Quatro anos depois, esse significado se desgastou. A derrota na eleição municipal de 2024 enfraqueceu sua imagem, e as discussões sobre sua permanência deixaram a impressão de uma solução acomodada. Geraldo ficou, mas a campanha parece não ter encontrado uma função à altura do espaço que ocupa ou já ocupou em 2022 nos jingles e no próprio horário eleitoral.

Em vez disso, a impressão é que a reeleição do filho, Matheus Ferreira, para deputado estadual ganhou prioridade em sua movimentação política. É uma percepção que merece explicação do próprio vice.

Do outro lado da rua, Zé Cocá entrou por outro caminho. Sua disposição de alcançar projeção estadual encontrou a vontade de Neto de ter um vice do interior, se redimindo de estratégias que não deram certo em 22. Ex-prefeito de Jequié, com experiência também em Lafaiete Coutinho e na representação dos municípios, foi deputado estadual, reunia atributos para ampliar a conversa da oposição fora de Salvador. A escolha tinha lógica. Há quem diga que seu sumiço está nisso: cuidando de articulações interioranas e pouco preocupado em aparecer no rádio e na TV. E, assim como seu adversário, está centrando fogo na campanha do afilhado deputado Hassan. 

No contexto atual, de quem só vê a campanha pelas redes e pela TV, em determinados momentos, parece que o vice de Neto é João Roma, candidato ao Senado. É Roma quem transmite maior presença política ao lado do candidato a governador, mais até do que Coronel que tenta abocanhar voto casado também na chapa do PT no famoso “lá e low”.

Dos vices da eleição passada das chapas mais competitivas, Ana Coelho esteve no centro de questionamentos sobre sua indicação e Geraldo simbolizou uma ruptura. Hoje, o silêncio em torno dos dois vices chama atenção justamente por isso, pelo menos de quem compreende a campanha, pois o povo nem lembra quais são os nomes. A vice não deveria desaparecer depois de preenchida a vaga na fotografia oficial, mas cada um com sua estratégia, seja para esconder quem ficou porque não teve jeito, seja para trabalhar com quem jura ter dimensão regional importante para a chapa. A conferir.