Por Liliam Andrade
Estive hoje na Abertura da Exposição CRIMINALIZAÇÃO DO SABER / Aula Inaugural Estaleiro Escola Embrião, nas instalações do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, no município de Candeias às margens da bela Baía de Aratu. Os três rapazes idealizadores do projeto que venceu a Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, fizeram a apresentação da proposta que já contava com vários alunos inscritos para “aprender a fazer saveiros” – uma jornada de 240 horas para transmitir os conhecimentos desses mestres às novas gerações. Também foram convidados muitos mestres saveiristas (foto) e antigos proprietários de estaleiros dos saveiros, que se tornou patrimônio imaterial.

De acordo com o folder institucional, a “Mostra imersiva no Museu Wanderley Pinho coloca o saveiro Traquino como símbolo de resistência cultural, enquanto o Estaleiro Escola Embrião lança curso inédito para formar novas gerações de construtores navais”.
Já a exposição “A Criminalização do Saber” é “uma imersão na história, na técnica e na memória das embarcações tradicionais brasileiras, com foco nos icônicos saveiros de vela de içar da Baía de Todos os Santos. A mostra, instalada na cozinha do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, transforma o ambiente em um convite à memória e ao conhecimento, colocando em evidência o ofício dos mestres carpinteiros navais – detentores de um saber que, apesar de reconhecido como patrimônio imaterial de Salvador em 2024, ainda enfrenta desafios de regulamentação e valorização.
Segundo Marcelo Bastos, um dos idealizadores do projeto, “o percurso expositivo convida o público a uma viagem detalhada em Imagens e painéis, Réplicas e escalas; História e cotidiano; Cozinha a bordo e rotas; Ferramentas e movimento; Arte e referências”.
O projeto é realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil com patrocínio da Belov Engenharia e apoio do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC, Governo do Estado da Bahia, Fundação Gregório de Matos e Associação Viva Saveiro; E conta com o patrocínio da Wilson Sons, via Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura – Salvador, da Prefeitura de Salvador, Secretaria Municipal da Fazenda – SEFAZ, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – SECULT, Fundação Gregório de Mattos e apoio do Colégio da Polícia Militar da Ribeira, Faculdade de Arquitetura da UFBA, Senai Cimatec.
Com tantos patrocínios e apoios, não me contive e afirmei aos idealizadores que estava sentindo a falta da Marinha, melhor dizendo, da Capitania dos Portos que desde 2022 através da portaria 38 CPBA, proibiu “a atracação e a aproximação de embarcações para embarque e desembarque de passageiros no Cais adjacente à praça do Mercado Modelo”. Atualmente, segundo um dos saveiristas com quem conversei, a tripulação de um saveiro se resume a duas pessoas, sem direito a alugar a embarcação para fazer turismo – como já fiz tantas vezes atravessando a BTS para a festa de Candomblé de Florinda em Barra do Gil, e para o município de Maragojipe pelo rio Paraguaçu.
Resta saber por onde e com quem irão navegar os novos saveiros a serem construídos?
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Jornalista e escritora

