Por Victor Pinto
A Bahia sempre foi uma espécie de usina de publicitários que ganharam projeção nacional. Não é coincidência que, em diferentes momentos da política brasileira, estrategistas formados ou consolidados no estado tenham assumido campanhas presidenciais e disputas majoritárias relevantes. No cenário que começa a se desenhar para 2026, o marketing volta ao centro do jogo político baiano.
De um lado, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, deve anunciar em breve o publicitário João Santana como responsável por sua estratégia eleitoral. Santana tem um histórico conhecido no marketing político brasileiro, tendo conduzido campanhas presidenciais vitoriosas do PT e atuado em disputas relevantes no Brasil e no exterior. Sua entrada na campanha de Neto sinaliza que a oposição pretende elevar o nível estratégico da comunicação para a disputa estadual.
No campo do governador Jerônimo Rodrigues, um dos nomes citados nos bastidores para conduzir a comunicação é o do publicitário Sérgio Guerra, profissional com experiência em campanhas no Nordeste e que tem boa interlocução com setores do grupo governista. A escolha do marqueteiro será um dos movimentos mais sensíveis da pré-campanha.
Há ainda um terceiro elemento que ajuda a compreender o peso da Bahia nesse universo: o publicitário Sidônio Palmeira. Baiano, ele se consolidou como um dos principais estrategistas da comunicação política nacional e teve papel central nas campanhas presidenciais de Lula e deve continuar. Sua atuação reforça a tradição do estado como formador de quadros importantes no marketing eleitoral brasileiro.
O debate sobre marketing, no entanto, vai além de nomes e se trata de narrativa. Em um tempo em que a informação é consumida rapidamente, um slogan eficaz funciona como uma âncora na consciência coletiva do eleitor. A essência do slogan está na autenticidade e na capacidade de conectar a história do candidato às suas propostas políticas.
Dois movimentos recentes ilustram essa lógica. Após a repercussão sobre valores recebidos por consultorias ligadas ao Banco Master, ACM Neto publicou nas redes a frase: “Pode vir quente que estou fervendo”. A mensagem busca transmitir reação e resiliência diante da pressão política.
Já Jerônimo Rodrigues adotou uma linha diferente em suas redes também como forma de resposta sobre sua gestão. Em uma publicação recente, iniciou com a frase “falavam que não ia fazer” e, em seguida, apresentou obras e entregas do governo. A estratégia é transformar críticas em argumento de realização administrativa.
Essa disputa de narrativas ocorre em um ambiente de comunicação cada vez mais fragmentado, mas que ainda preserva pilares tradicionais. Pesquisa do Datafolha mostra que 58% dos brasileiros dizem se informar sobre política por programas jornalísticos na televisão, enquanto 54% citam as redes sociais. Sites de notícias aparecem com 26%, seguidos por conversas pessoais e canais no YouTube, ambos com cerca de 21%.
Os números indicam que, apesar da ascensão das redes, os meios tradicionais continuam exercendo forte influência na formação da opinião pública. Para estrategistas como João Santana ou Sérgio Guerra, a campanha moderna exige exatamente esse equilíbrio: presença digital intensa, mas também capacidade de dialogar com televisão, rádio e jornalismo profissional.
Em um estado que historicamente exporta marqueteiros para o país, a eleição de 2026 na Bahia tende a ser, mais uma vez, uma disputa entre narrativas bem construídas e slogans ou jingles capazes de sintetizar projetos políticos em poucas palavras. A comunicação das campanhas publicitárias do governo da Bahia será uma vitrine boa de acompanhar. A conferir.
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Jornalista / twitter: @victordojornal
