Por Victor Pinto
Pedro Maia construiu algo raro no Ministério Público da Bahia: unanimidade em um ambiente historicamente dividido. Vejamos: foi candidato a procurador-geral de Justiça cinco vezes, sempre o mais votado da lista tríplice. Nunca foi nomeado pelo então governador Rui Costa. Nos bastidores, a justificativa era recorrente: “afoito”, “novo demais”, “excessivamente combativo”, sobretudo pela atuação firme no Gaeco. A política institucional preponderou por diversas vezes mais do que a votação interna do MP e isso só foi quebrado muito tempo depois, tanto que agora colhe os louros após esse período de espera e segue para um novo mandato.
Na primeira gestão de Norma Cavalcanti, Pedro foi o estrategista do que muitos chamaram de “emparedamento” do governo. Os três nomes da lista pertenciam ao mesmo grupo. Qualquer escolha manteria o eixo de poder. Norma foi nomeada. Ele assumiu a chefia de gabinete e ali começou uma fase de consolidação institucional para pavimentar a sua subida ao cargo máximo do MP baiano.
Quando Norma presidiu o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais, Pedro foi secretário-executivo do colegiado. Antes mesmo de ser reconduzido, já havia sido eleito presidente do conselho. Mais uma estratégia da construção política.
Dada sua trajetória, Pedro Maia não nasceu no grupo político de Norma. Ele ingressou na política interna do MP próximo a Wellington César Lima e Silva (hoje ministro da Justiça) de quem foi estagiário e afilhado de casamento. Depois vieram divergências públicas, anos de afastamento e um racha conhecido na instituição, mas o tempo reaproximou os dois. Nesse intervalo, Pedro se movimentou. Aproximou-se de Norma, que representava outro polo, mais à direita. Hoje transita entre todos os campos e nas últimas eleições teve praticamente a totalidade dos votos: um fato inédito.
No plano nacional, acumulou prestígio e é próximo de Jarbas Soares, figura conhecida do MP mineiro. Tem relação direta com João Paulo Schoucair, a quem indicou ao CNJ; respeitado por Paulo Gonet, que compareceu à sua posse no conselho, gesto bastante raro; também demonstrou força também ao reunir o ministro Carlos Brandão em eventos estratégicos do MP. Esses movimentos não acontecem por simpatia pessoal, mas uma sinalização de uma palavra já trazida nesses escritos: institucional.
Na política, conversa com todos. Dialoga com João Roma, Otto Alencar, Jaques Wagner, Bruno Reis e com o governador Jerônimo Rodrigues. Mantém pontes abertas e em tempos de polarização isso torna-se um ativo.
Vem de família abastada. Circula com naturalidade no mundo empresarial e artístico. Mas, com método, tem ampliado diálogo com setores diversos da política, sem perder a linha necessária que se espera do MP. Na minha análise, não rompeu com suas origens, apenas expandiu o raio de influência.
Pedro entendeu cedo que o poder institucional exige mais do que votos: exige articulação, leitura de cenário e capacidade de recomposição. Sua posse para a continuidade da linha de frente do MP da Bahia foi motivo de rodas de conversa para além do solo baiano. Até que cheguei a ouvir de uma fonte bem articulada no cenário nacional: se em algum momento disputar vaga no STJ, não será uma novidade e não será candidatura meramente simbólica. Será competitiva. E poucos, hoje, no Ministério Público brasileiro, reúnem capital político e jurídico semelhante que o catapulte a tanto. Pedro Maia tem a faca e queijo na mão para fazer história. A conferir.
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