Jerônimo e ACM Neto na conquista dos “puxadores dos votos”

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Por Victor Pinto

A gente fala que uma eleição puxa a outra na Bahia. Não é uma conta definitiva, fechada, certinha. A eleição de 2026 na Bahia já começou pela eleição de 2024, começou pelos municípios.

Nos bastidores, a expressão tem sido repetida com frequência: os prefeitos viraram os puxadores de votos ou “vaqueiros do voto”, essa última alcunha, diga-se de passagem, do senador Angelo Coronel, que se fia no poder municipalista para tocar sua futura campanha. São eles, os prefeitos, que conhecem o território, que têm relação direta com a população, que sabem onde o sapato aperta na prática política.

E aqui entra um ponto importante: o peso que a própria classe política passou a dar aos prefeitos. Deputados, senadores, governadores e pré-candidatos disputam agenda, espaço e proximidade com esses gestores. Vimos isso nessa semana no Salão Sebrae Cidades Empreendedoras e o evento no Parque de Exposições na sexta-feira.

O governador Jerônimo Rodrigues entendeu isso cedo. Aprendeu desde Rui Costa. Intensificou a agenda com prefeitos, ampliou convênios, espalhou obras e passou a marcar presença em eventos municipalistas. Corre para consolidar a marca do prometeu e cumpriu das diversas obras pretensas nos quatro cantos da Bahia. Nesta última semana, ao reunir prefeitos, ao anunciar investimentos, o governador não fala só como chefe do Executivo, mas sim como candidato que precisa manter capilaridade.

Do outro lado, a oposição também ajustou o foco. A escolha do nome como Zé Cocá para vice de ACM Neto, núcleo forjado em Jequié, e o evento de Zé Ronaldo em Feira de Santana não são movimentos isolados. São peças de um desenho maior. Ambos representam polos regionais fortes, com capacidade de irradiar voto para além dos limites das suas cidades.

Zé Ronaldo é Feira de Santana, que sempre funcionou como termômetro eleitoral do interior, segundo maior colégio eleitoral da Bahia. Zé Cocá é Jequié e uma região que conversa com boa parte do Sudoeste. Posso analisar como estruturas políticas montadas.

A disputa, portanto, passou a ser por território de quem tem mais prefeitos alinhados, mais presença nos municípios e mais capacidade de mobilização local. Quase um plebicito municipalista. 

No fim das contas, o que se vê é um retorno à essência da política baiana. Sempre foi assim. Quem domina o interior constrói caminho para vencer a eleição. A diferença é que agora isso está mais explícito, mais em pauta e mais valorizado e na estratégia melhor estruturada de ambos os lados.

A eleição de 2026 será decidida nas estradas, nas cidades médias, nos pequenos municípios. Será decidida por quem tiver mais “puxadores do voto” ao seu lado, mesmo no campo das proporções dos grandes centros. Investidas já percebidas por ACM Neto quem não tem repetido os erros de 2022. E também a hiper valorização de Jerônimo Rodrigues, que viveu no interior nos últimos anos, estreitando ainda mais as relações. A conferir.
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Jornalista// twitter: @victordojornal