Legalidade, ética e integridade

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Por Joaci Góes

Ao excelente analista de TI Daverton Furtado.

O Brasil vive a quadra mais inquietante de sua história, em razão dessa inquietação envolver toda a sociedade, proporcionando rápida universalização de tudo o que acontece, graças à velocidade dos meios de comunicação. O componente mais grave dessa gravíssima perturbação reside no elevado teor de ódio que separa os majoritários grupos de opinião, divisionismo de que se aproveitam os líderes populistas de ambos os segmentos para manter elevada a temperatura de suas respectivas fornalhas ideológicas, medida de reconhecida eficácia para assegurar-lhes a preservação das frações de mando de que já desfrutam, em uma sociedade predominantemente inculta.

Na semana passada, um juiz baiano foi afastado do cargo, para a apuração de atos desonestos que teria praticado, incompatíveis com a dignidade de suas elevadas atribuições. Apenas para efeito das considerações que formularemos a seguir, na  hipótese de que venham a ser reconhecidas como verdadeiras as pesadas acusações  formuladas contra Sua Excelência, ele deveria ser mantido no cargo, em respeito ao  mais elementar princípio da isonomia, quando ficou público e notório o envolvimento de  ministros da Suprema Corte, flagrados na prática de atos muitas vezes mais graves do  que os atribuídos ao singular magistrado da terra de Castro Alves e de Rui Barbosa, sem  que absolutamente nada tivesse acontecido a suas soberbas excelências, que  continuaram, do modo mais despudorado, próprio dos que estão fora e acima da lei, a  deitar falação sobre o procedimento correto a ser observado pelos habitantes desta  República de Bananas chamada Brasil que, majoritariamente, conta com patuleia  ignara em lugar de povo.

É verdade que o Presidente do STF, o mesmo que recorreu ao argumento desavergonhado de uma incompetência de foro inexistente para libertar Lula da Silva, legitimamente condenado no julgamento mais público e limpo de nossa casuística forense, por sucessivos e descarados assaltos ao Erário, em benefício próprio e de seus comparsas, na maior ladroagem do dinheiro público da história dos povos. Como se não bastasse tanta desfaçatez, tudo fizeram para que o ex-detento vencesse as eleições presidenciais, para com ele formarem um inquebrantável vínculo de inspiração inegavelmente fascista, que perdura. Para acentuar, ainda mais, o caráter fascista do  imoral e solerte conúbio, entre o Executivo e o Judiciário, romperam com os mais  comezinhos e sagrados princípios constitucionais e levaram adiante a mais torpe  vingança pessoal e política que se conhece nas estruturas operacionais dos povos que  acendem luzes e lançam apelos aos valores democráticos das sociedades que se  querem avançadas e modernas, tornando realidade aparente uma operação de Golpe de Estado que só olhos de psicopatas e boçais empedernidos conseguiram enxergar,  cobrindo de ominoso vexame nossos foros de nação aspirante a um saudável patamar  de decência política.

O resultado é o que todos viram: pessoas do povo, inconformadas com a perspectiva de verem os mais audaciosos assaltantes da bolsa popular ascenderem ao comando da nação, foram às ruas, no coração do Brasil, para externar a veemência do seu protesto.  Criminosa e ardilosamente, o conluio espúrio entre membros dos poderes Executivo e Judiciário deixou sem qualquer proteção todas as estruturas da Praça dos Três Poderes, com o indisfarçável propósito de levar a população desarmada ao lamentável quebra-quebra a que tantos testemunharam. O que não se sabia, porque pensar seria impossível a qualquer mente sã, é que os cúmplices da pantomima histórica viram ali a possibilidade de, mesmo ao arrepio de qualquer sustentação moral e ou legal, montar uma audaciosa operação para subverter a ordem constitucional do País. Algo absolutamente fora da sensatez e do mínimo de decência hermenêutica de caráter constitucional. Meus saudosos avós são tão responsáveis por este golpe quanto cada uma das centenas de vítimas dessa abominável conspiração contra a verdade, a honra e o mínimo de inteligência. Um produto completo e acabado da boçalidade política de mescla com robustos componentes da mais crassa e deplorável psicopatia, de padrão hitlerista. Daí para a condenação de quase trinta líderes, entre os quais um ex-Presidente da República e quatro oficiais generais de briosas biografias foi apenas um passo.

Uma   mancha indelével na memória do nosso venerando STF, cuja maioria, em nossos dias, nunca aprendeu que integridade é obediência ao que não é exigido.