Por Silvana Coelho
As vezes ouvimos uma pessoa dizer à outra, “eu te conheço”, como se soubesse, realmente, a reação que a outra pessoa teria, diante das situações.
Acontece, entre pessoas que vivem muito tempo juntas, de uma até acertar a reação que a outra teria.
Mas outra vezes ocorre de alguém agir diante de outro ou de um grupo, diferente do que naturalmente agiria, com o objetivo de ser agradável. Isto nem sempre se sustenta e às vezes é até engraçado. Aconteceu com duas irmãs, que conheço. Sempre que uma saia para comprar guloseimas, comprava palmier, porque tinha certeza que a outra amava, porque era o que tinha dito numa reunião de grupo. Até que um dia, ao voltar com os palmier , a irmã que recebeu disse a outra: palmier é a sua cara! No que a outra respondeu: “Minha cara? Eu nem gosto muito. Como, porque trago para você. As duas riram.. Não se comprou mais palmier na casa, por um bom tempo. Hoje as duas gostam.
Em certos casos, o resultado não é nada engraçado. Foi o que ocorreu com um senhor casado, muito introspectivo e que, por isto, as outras pessoas que o rodeiam tinham certeza de que se tratava de uma pessoa discreta e de valores rígidos. Certo dia foi descoberto que este homem, que trabalhava alguns dias no interior, para surpresa da família e dos amigos, constituiu outra família no interior.
Existem pessoas que se posicionam de uma forma sobre o assunto da rodada, mas com amigo íntimo, dizem pensar totalmente diferente. Em que momento está dizendo o que realmente pensa?
Outro dia conversando sobre este assunto com uma psicóloga ela finalizou a conversa dizendo: as pessoas são incógnitas!
E como certos assuntos parece que nos rondam, há alguns dias recebi uma mensagem com a seguinte frase atribuída a Lacan: “Eis o grande erro de sempre: Imaginar que as pessoas pensam o que falam”.
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Gestora e ceramista
